03/06/2026
Drama Histórico

O Retorno

Depois de vencer a Guerra de Tróia, apesar de ter perdido todos seus soldados, Odisseu acaba naufragando em sua ilha Ítaca, e é resgatado por um criador de porcos, Enquanto isso, sua mulher Penélope tece uma mortalha e diz que se casará novamente quando terminar a peça.

post-ex_7

As escolhas do italiano Uberto Pasolini na sua adaptação da A Odisseia são as mais curiosas – nem sempre numa luz positiva. O roteiro de O Retorno é assinado por ele, John Collee e Edward Bond e reduz a trama ao mínimo necessário, deixando de fora todos os elementos épicos e fantásticos que fazem do original uma epopeia. Ao transformar a grandiosidade do poema em uma história pessoal, o longa cai quase numa banalidade em sua violência. 

Ralph Fiennes e Juliette Binoche se unem em seu terceiro filme (antes fizeram O Paciente Inglês e O Morro dos Ventos Uivantes), com ele no papel de Odisseu e ela, no de Penelope.  Ambos estão separados desde que ele foi dado como morto na Guerra de Troia, de onde saiu vitorioso, mas perdeu todo seu exército. Depois de um naufrágio, enquanto voltava para Ítaca, ele é encontrado por Eumeu (Claudio Santamaria), um criador de porcos que o protege.

Enquanto isso, Penelope tece uma mortalha, e a desfaz todas as noites, pois prometeu que se casará novamente quando a peça estiver pronta. Na entrada de seu castelo, homens das mais diversas idades e origens, se acumulam esperando ser o escolhido. Como o tempo passa, porém, os mais nobres e ricos já desistiram, e o que sobra são soldados, mendigos e outros sem posse. O mais obstinado em ser o escolhido é Antinoo (Marwan Kenzari).

No castelo, os problemas só crescem, quando Telêmaco (Charlie Plummer), filho de Penélope e Odisseu, se revolta contra a mãe, pois o reino está sendo destruído por que ela não escolhe um pretendente. Ele, que nunca conheceu o pai, quer sair e se aventurar pelo mundo, mas sua ingenuidade é um grande empecilho. 

Pasolini arma essa trama em belos cenários naturais na ilha de Corfu, na Grécia, cuja beleza é destacada na fotografia do romeno Marius Panduru. Há também um particular interesse pelos corpos dos jovens pretendentes de Penélope, que, quando juntos, mais parece uma convenção de influencers de fitness. 

O Retorno, ao deixar de lado os deuses e monstros de Homero, é um filme corajoso, mas pálido diante do que poderia ter sido. É admirável a intenção de Pasolini em transformar o épico e intimista, mas o filme fica patinando na mesmice por muito tempo, sem saber muito bem como avançar, até chegar ao inevitável banho de sangue que, narrativamente, parece mal resolvido e excessivamente didático. 

post