Um artista tão revolucionário e criativo como Pablo Picasso merecia um filme bem menos irregular e convencional do que o documentário Picasso – Um Rebelde em Paris, da italiana Simona Risi. Excessivamente didático, e, ainda assim, confuso, é quase um telefilme enfadonho em sua falta de preocupação em construir uma narrativa atrativa e aproveitar de maneira elegante as obras do espanhol.
Usando uma narração numa voz sempre apressada, quase ofegante, uma porção de cabeças falantes e uma câmera se movendo de um lado para outro sobre as obras de Picasso, o documentário acompanha pouco mais de 40 anos na vida do artista desde 1900.
Tendo como cenário principal o Musée Picasso, em Paris, o filme não faz nenhuma grande revelação sobre o artista ou sua obra, e, assim, gira em torno de histórias já conhecidas e traz pouco de analítico sobre a arte dele.
Um tema que renderia um documentário com algum frescor é a complicada relação do artista com mulheres, algo que hoje é bastante controverso, e seria interessante saber como curadoras e estudiosas lidam com isso. O filme passa pelo tema de forma rápida, sem se aprofundar nada, quando aí estaria o verdadeiro filme. De qualquer forma, O Mistério de Picasso, de Henri-Georges Clouzot, de 1956, continua sendo o filme definitivo sobre o artista.
