Apanhador de Almas é um terror brasileiro que deve muito ao modo hollywoodiano de fazer o gênero. O filme se vale, na verdade, dos elementos mais óbvios desse tipo de narrativa que, embora ainda muito praticados no cinema estadunidense, são um tanto velhos, uma vez que exemplares mais sofisticados do terror têm sido feitos, como Corra, A Hora do Mal, Pecadores, A Bruxa.
Como filme de bruxa, o longa nacional é óbvio e estridente, com atuações que nunca encontram equilíbrio entre si, sendo protagonizado por quatro jovens adultas que, durante um eclipse, visitam uma bruxa veterana, para acompanhar um ritual mágico. Emilia (Klara Castanho), Mia (Jessica Córes), Isabella (Priscila Sol) e Olivia (Duda Reis) chegam à isolada casa de Rea (Angela Dippe), na tarde que antecede o eclipse.
O ritual não dá certo, tudo sai de controle e uma bruma inexplicável toma o exterior da casa. Não há saída e, quando Isabella tenta escapar, ela é resgatada parecendo outra pessoa. Não custa muito, uma criatura conhecida como o Apanhador de Almas aparece e decreta que apenas uma das cinco mulheres poderá sobreviver. Surge daí um jogo de quem fica viva e quem vai morrer, enquanto o tempo corre.
Dirigido por Fernando Alonso e Nelson Botter Jr., que assinam o roteiro com Tarsila Araújo, Apanhador de Almas é um filme tímido que se contenta em ficar numa zona de conforto, sem ousar, ou nem mesmo trazer uma brasilidade a si mesmo. A fórmula estrangeira já desgastada rende dezenas de produções que todos os meses são despejadas nos streamings sem nem passar pelos cinemas. No caso do nacional, o que poderia haver de diferencial, seu toque brasileiro, é inexistente, tornando-o um terror genérico sem muito apreço pela forma ou conteúdo.
