Assíduo frequentador de pesadelos e criador de monstros, o diretor mexicano Guillermo del Toro não poderia fugir a criar sua própria versão deste personagem imortal, criado pela escritora Mary Shelley em 1818.
Na versão de del Toro, como é de se esperar, um ponto alto está na direção de arte (de Brandt Gordon, Celestria Kimmins e Emer O’Sullivan), que cria ambientes avassaladores, de forte beleza e impacto, a partir do barco encalhado na neve que dá início ao reencontro entre a criatura (Jacob Elordi) e o professor Victor Frankenstein (Oscar Isaac). Mais ainda se espere do ambiente do castelo onde o cientista se dedicará à sua tétrica experiência de reinjetar vida em cadáveres, patrocinado pelo nobre Henrich Harlander (Christoph Waltz). Até mesmo os figurinos da única presença feminina de peso neste elenco, Mia Goth, interpretando Elizabeth, são sublimes e nada gratuitos, criando a aura quase mágica de uma personagem marcante.
A marca distintiva principal deste relato de horror que discute a ética da ciência está, no entanto, no retrato da criatura - talvez nunca antes tão humanizada, fazendo um arco de amadurecimento em suas experiências de convivência com os homens até aqui não explorado em outras adaptações. Com seu belo rosto escondido pela pesada prostética, Elordi desdobra camadas do drama existencial deste ser recriado a partir de experimentos terríveis com um empenho comovente.
