Benny Safdie venceu o Leão de Prata de melhor direção no Festival de Veneza a condução deste drama em torno da história real de um lutador de MMA Mark Kerr (Dwayne Johnson), cuja carreira, aliás, começou numa competição em São Paulo.
O prêmio em Veneza, na verdade, foi alto demais para um filme que nada mais é do que convencional, por mais que seus defensores, em sua première mundial no festival italiano, procurassem elevá-lo a algo superior. Não perderam nada em tentar, afinal, Veneza já deu um Leão de Ouro a outro filme sobre a ascensão e queda de um lutador de luta livre, em 2008, O Lutador, de Darren Aronofsky, marcando a redenção tanto do diretor quanto do ator Mickey Rourke, que já haviam passado maus bocados em suas respectivas carreiras.
Não é o caso aqui. Aos 39 anos, com uma carreira de ator e roteirista, Benny Safdie, na verdade, começa a descolar-se da parceria com o irmão, o produtor e diretor Josh Safdie, e, se tudo der certo, trilhar seu próprio caminho.
O problema é que não há, a rigor, nada de especial ou original neste drama bastante previsível sobre os altos e baixos na vida e na carreira do lutador, seu vício em analgésicos e sua relação turbulenta com a mulher, Dawn Staples (Emily Blunt). Como seria de se esperar, há muitas sequências de lutas, bastante ferozes e capazes de atrair os fãs desse tipo de, digamos, esporte. Abre-se espaço para amizades impregnadas de rivalidade, como a entre Kerr e seu colega/treinador Mark Coleman (interpretado pelo lutador de MMA Ryan Bader), que poderão ter que disputar a grande final do Grand Prix da competição Pride, no Japão. Tudo isso faz parte do manual de qualquer filme sobre lutadores e não é desenvolvido com nenhum brilho em particular. A luta contra o vício, decorrente das dores causadas por uma neuropatia periférica, também segue o mesmo manual do melodrama médio.
Por mais que, desde Veneza, se tenha tentado articular uma campanha rumo ao Oscar para Dwayne Johnson - que pode até dar certo, quem sabe -, a verdade é que sua interpretação também não sai das quatro linhas dos ringues. Ele dá o seu melhor mas é impossível que ele e outros membros do elenco possam esconder sua limitação dramática, num enredo que também não lhes pede nada de mais.
Nesse imbroglio, só fica difícil entender porque uma atriz qualificada como Emily Blunt quis fazer um papelzinho tão medíocre como dessa descontrolada Dawn, que não acrescenta nada à sua carreira. É o tipo da situação que merece o nome de desperdício.
