O que Wes Craven já havia feito em A Hora do Pesadelo, em 1986, e em suas sequências, é reciclado com uma nova roupagem paras as gerações contemporâneas em O Telefone Preto 2. Scott Derrickson, novamente na direção, precisou se adaptar a uma nova realidade, uma vez que o assassino do original, de 2021, não está mais por aí.
O primeiro filme partiu de um conto de Joe Hill, que aqui aparece como produtor executivo, o que não deixava exatamente brechas para uma continuação. O sucesso do longa, seguindo a cartilha de Hollywood, no entanto, pediu uma sequência, e o diretor, que assina o roteiro com C. Robert Cargill, fez malabarismo para seguir em frente. Encontrou a solução de que o Sequestrador (Ethan Hawke) domina seus personagens nos sonhos.
Finney (Mason Thames) ainda está em cena, e é um dos protagonistas, mas o vilão está mais interessado, desta vez, na irmã mais velha do adolescente, Gwen (Madeleine McGraw), que possui o dom de se comunicar com espíritos em seus sonhos, que são tão potentes que a transformam em sonâmbula.
Para sobreviver ao horror do Sequestrador que invade sua mente à noite, ela precisaria não dormir. As sequências mais aterrorizantes, obviamente, acontecem nos sonhos dela, quando o vilão a domina completamente, mas também são os momentos em que ela tem o poder de lutar contra ele.
O passado dos irmãos também pesa na luta contra esse mal. A mãe deles, que aparece em flashbacks, se matou quando ainda eram crianças, e essa perda levou o pai (Jeremy Davies) ao alcoolismo. Boa parte da ação se passa no acampamento cristão, onde a mãe deles trabalhou na adolescência.
Hawke, o nome mais famoso do filme, nem aparece muito, pois tudo é centrado na dinâmica entre Finney e Gwen – sobreviventes de traumas, que agora, nesse segundo longa, precisam aprender a lidar com isso. Derrickson, que numa entrevista confessou ter se convertido ao cristianismo na adolescência, chegando a se considerar fundamentalista até, coloca a fé como um elemento forte ajudando as personagens em seus momentos de maior medo.
