Bonecas do mal não são novidade, e Annabelle tem dominado as telas há alguns anos. Ela não encontrará competição à altura em Aya, do novo J-Horror Dollhose, embora o semblante vazio seja mais assustador do que a sorridente boneca estadunidense. A presença maligna do brinquedo é o mais interessante no filme escrito e dirigido por Shinobu Yaguchi, mais conhecido na comédia e que estreia em outro gênero.
Aya, uma boneca milenar, é mais sutil e, por isso, mais ardilosa do que suas semelhantes. Mas o filme segue a cartilha do subgênero sem muito esforço para criar mais atmosfera ou uma trama um pouco mais elaborada, tendo como protagonista Kae Suzuki (Masami Nagasawa), uma mãe enlutada pela morte acidental da filha de cinco anos.
Numa feira de antiguidades, ela encontra a boneca e a leva para casa. O brinquedo delicado se torna seu instrumento para lidar com o luto – embora a maneira como a use para essa finalidade não seja lá das melhores. Kae coloca a boneca na posição de sua filha, corta seus cabelos para ficar parecida, leva-a para passear e faz fotos de família com ela e seu marido, o médico Tadahiko Suzuki (Kôji Seto).
A boneca é o centro das atenções até que Kae se descobre grávida novamente. Depois do nascimento da filha, dá o brinquedo para a menina, até que coisas estranhas começam a acontecer, mas aí já é tarde para se livrar de Aya, que se tornou a boneca favorita da garotinha.
Dollhouse segue, então, o caminho óbvio, alternando sustos com tentativas frustradas de destruir a boneca que, a cada novo lance, se torna ainda mais esperta e perigosa. Talvez por sua afinidade com a comédia, Yaguchi cria momentos engraçados para o filme, que se torna cada vez mais inchado com personagens e subtramas para tentar dar um fim na boneca.
