19/07/2026
Comédia

Mãe Fora da Caixa

Manu é uma profissional bem-sucedida que imagina ter tudo sob controle quando nasce sua primeira filha. Porém, mesmo se julgando bem preparada, ela não imaginava que as coisas não sairiam tão fora de suas expectativas.

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Mãe Fora da Caixa é um filme sobre maternidade – mas não é qualquer uma, é sobre uma bastante específica: branca, carioca, de classe média alta e com uma boa rede de apoio. Como várias ciências já bem já mostraram, a maternidade não é um dom ou instinto, mas uma construção social imposta à mulheres, e o filme, embora, por vias tortas mostra isso, e essa talvez seja sua maior qualidade. 

O roteiro é inspirado na peça de Claudia Gomes, que, por sua vez, parte do livro homônimo de Thaís Vilarinho. Miá Mello, que interpreta o monólogo nos palcos, assume novamente a personagem com verve e sagacidade. Mas não há como não pensar nas limitações da protagonista enquanto personagem em seu retrato de uma bolha bastante específica – embora, é claro, os dilemas e desafios enfrentados por mães existam independentemente da classe social, só que cada uma precisa lidar de um jeito. 

O filme começa com Manu (Mello) no banheiro de uma festa infantil, fazendo um teste de gravidez. Enquanto espera o resultado, repassa toda sua vida, do nascimento da filha até ali. Bem-sucedida em seu trabalho num grande hotel de luxo, ela entra em licença-maternidade com o nascimento, e imagina que será tudo uma maravilha com a recém-nascida. 

O longa dirigido por Manuh Fontes, com roteiro de  Patrícia Corso e Patricia Leme, se constrói, num primeiro momento, como uma crônica, com pequenos acontecimentos ligados pelo fio condutor dos primeiros dias da maternidade, que logo viram semanas e meses. Os problemas enfrentados por Manu vão desde o marido (Danton Mello) ausente pelo trabalho até a mãe dela (Malu Valle), repleta de boas intenções, mas intromissiva. Fora, é claro, o choro, a falta de sono, as cólicas que enfrenta a bebê.

Manu sempre foi dona de muitas certezas, leu diversos livros sobre como cuidar de filhos pequenos, mas, aos poucos, percebe o óbvio: não existe manual, cada criança é de um jeito – assim como cada mãe – e a beleza e desafio dessa jornada é descobrir como devem ser as coisas. E enquanto o filme segue nesse modelo fragmentado, funciona melhor do que quando, na reta final, cria uma história tola sobre o aniversário de um ano da criança e a necessidade da protagonista trabalhar no dia da festa. 

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