04/09/2026
Comédia

Os Vigaristas

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Algumas pessoas sempre colocam em xeque a qualidade dos trabalhos do diretor Ridley Scott. E realmente é muito difícil não dar razão aos mais críticos quando o assunto é forma e conteúdo. Apesar de mostrar uma grande perícia nos aspectos visuais de suas obras, narrativamente tende a ser extremamente simples e - salvo honrosas exceções, como Blade Runner - os roteiros que escolhe tendem a ser simples reinterpretações de conceitos previamente explorados (as vezes melhor) por outros diretores. Quem acompanhou seus últimos sucessos comerciais sabe: Hannibal, Falcão Negro em Perigo e Gladiador foram muito bem filmados e bastante populares, mas nenhum conta com um enredo complexo ou profundo.

Em Os Vigaristas o diretor volta a repetir essa fórmula, tomando todos os preceitos de uma típica comédia de golpistas, recriando a sua maneira todo o ambiente e personagens. O resultado, como já se esperava, se traduz em excelentes atuações, magnífica plástica visual, mas um desenrolar lento, previsível e bastante fraco para o tema. Uma frustração que só aumenta quando comparado a filmes do gênero como Nove Rainhas, que mesmo sem o talento de Scott, é superior no quesito roteiro.

No entanto, engana-se quem espera uma produção ruim. Com uma boa história nas mãos e um bom time de atores, o diretor consegue manter um padrão de qualidade que não apenas segura o filme, como poderá levar inúmeros curiosos à sala escura. Ainda mais pela participação do ator Nicolas Cage, que nos últimos tempos tem premiado seus fãs com atuações mais convincentes do que o habitual.

O filme retrata a história de Roy Waller, que junto com seu sócio Frank (Sam Rockwell) forma uma dupla de golpistas. O primeiro, um maníaco obsessivo por limpeza, que tem aversão a espaços abertos; o segundo, um mentiroso meio trapalhão, mas calculista e bastante ambicioso. Geralmente, procuram vítimas na classe média, para evitar grandes problemas com a polícia e conseguir viver decentemente. No entanto, uma série de fatos irá fazer ambos se arriscarem em uma jogada bastante ousada.

Tudo começa quando Roy fica sabendo da existência de uma filha, fruto de um casamento desfeito há anos. Angela, de 15 anos, (Alison Lohman) deseja conhecer seu ausente pai, e para a surpresa de ambos, surge uma boa relação. Uma relação, diga-se, redentora para o protagonista, mas negativa para sua filha, quando ela conhece o "trabalho" do pai e quer ajudar. Isto é, tem de por à prova todos os conceitos de paternidade que ainda não entendeu.

Toda essa confusão de situações dá uma atmosfera cômica à produção, ao mesmo tempo que deixa bem claro - afortunadamente - toda a evolução dos personagens, enquanto a história se desenrola. Principalmente Roy, um anti-herói nada convencional, com seus ataques de pânico, múltiplos rituais diários e neuróticas manias compulsivas. Embora seja um personagem basicamente melodramático, em que as emoções vão falar mais forte e será empurrado para o caminho da honradez, vale dizer que o importante aqui é ver como ele chega ao fim e não qual é o seu fim, diga-se mais uma vez, previsível.
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