18/07/2026
Drama Musical Biografia

Blue Moon - Música e Solidão

Lorenz Hart e Richard Rodgers formaram juntos uma das mais férteis duplas de compositores dos anos 1940, assinando sucessos como "My Funny Valentine", "Bewitched, Bothered and Bewildered", "The Lady is a Tramp", "Manhattan" e "Blue Moon". Mas a parceria está próxima do fim, devido a diferenças inconciliáveis de temperamento e da aproximação de Rodgers de outro parceiro, Oscar Hammerstein II. Na noite de estreia do musical "Oklahoma!", parceria inaugural da nova dupla, Hart comparece à festa e uma série de desabafos se esboçam. Na Amazon Prime, Apple TV, Google Play e Youtube.

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Baseado em cartas trocadas entre o compositor Lorenz Hart e Elizabeth Weiland, o sofisticado roteiro de Robert Kaplow, desenvolvido ao longo de 12 anos, elabora, com grande sensibilidade, uma espécie de perfil do magnífico letrista Hart, que brilhou nos anos 1940 em suas parcerias com o músico Richard Rodgers. Os dois compuseram inúmeros dos maiores clássicos da época, caso de My Funny Valentine, Bewitched, Bothered and Bewildered, The Lady is a Tramp, Manhattan e também a popularíssima Blue Moon, que dá nome ao filme. 

Interpretado com afinco e uma enorme transformação física por Ethan Hawke, colaborador constante do diretor Richard Linklater e um dos produtores do filme, o compositor apresenta-se como alguém extremamente talentoso e sensível e também atormentado e solitário. Por seus problemas emocionais, não consegue controlar a bebida, o que lhe criou atritos com o parceiro certinho Rodgers (Andrew Scott, premiado pela atuação no Festival de Berlim).

O enredo foca-se numa única noite, a estreia do musical Oklahoma!, em 31 de março de 1943, que marca justamente o afastamento de Rodgers de Hart, unindo-se a Oscar Hammerstein II numa nova parceria, que também será profícua.

Na história imaginada pelo roteirista, Hart teria ido ao musical - o que não é certo - e o considerado péssimo mas, ainda assim, dirige-se ao bar Sardi’s, onde se daria a comemoração da estreia após o espetáculo. É nesse único espaço que se desenvolvem várias interações de Hart que permitem ao filme abordar as emoções que o sacodem e se possa compreender o que estava, afinal, em jogo naquela noite.

Estão nesse mesmo espaço o garçom (Bobby Cannavale), um soldado em licença que funciona como pianista (Jonah Lees), um outro escritor, E. B. White (Patrick Kennedy), que dão oportunidade a que haja diálogos memoráveis num filme de atmosfera quase teatral, no bom sentido. Mas a aparição mais importante de todas será mesmo, além de Rodgers e Hammerstein, a da deslumbrante Elizabeth Weiland (Margaret Qualley).

Em torno dessa jovem, que é a atual paixão de Hart, forma-se um núcleo importante do enredo. E reserva-se uma cena longa entre os dois, na parte final, que é de antologia, para descrever as muitas nuances destas duas personalidades, que compartilhavam várias coisas, embora não a paixão mútua como queria Hart, e não eram moralistas. E esta foi talvez a grande lição que Hart deixou para quem o conheceu de perto - era um apreciador da beleza onde estivesse, que tragicamente morreu apenas alguns meses depois desta noite, aos 48 anos.

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