18/07/2026
Terror

Extermínio: O Templo dos Ossos

O jovem Spike agora faz parte, a contragosto, de uma gangue violenta que aterroriza as pessoas que ainda não foram atacadas por zumbis. Enquanto isso, o Dr. Kelson se mantém isolado - mas uma companhia inesperada pode mudar seu destino. Nos cinemas.

post-ex_7

Quando o primeiro filme inédito do ano a chegar aos cinemas combina zumbis e satanismo, é um sinal de que o ano cinematográfico promete. Quarto longa na franquia (ou segundo da segunda parte, 2.2, se preferir) Extermínio: O Templo dos Ossos eleva a mitologia, a narrativa e o desenvolvimento dos personagens a um nível de death metal – não por acaso, a música do clímax é do Iron Maiden.

O filme dirigido por Nia DaCosta retoma exatamente onde o filme do ano passado, Extermínio: A Evolução, parou. Novamente com roteiro de Alex Garland, é uma história de zumbis e apocalipse muito particular, pois seu interesse não está na correria e na destruição, ou mesmo nos zumbis em si. Não que isso não exista, evidentemente, mas o que importa aqui é a agonia existencial das personagens num mundo degradado.

DaCosta não tem receio de dar vários passos além do excelente filme anterior, de Danny Boyle, e levar ao extremo uma estética de fim do mundo. O mundo está destruído, pessoas temem umas às outras, zumbis sorumbáticos contaminam os humanos sadios (em alguns casos, até uns aos outros), e não existe mais a ideia de civilização – especialmente se essa se apoiava no conceito de solidariedade. 

Ralph Fiennes está em um dos melhores momentos de sua carreira como o Dr. Kelson, um sobrevivente que mantém o Templo dos Ossos, uma homenagem às vítimas da epidemia, feita com os próprios ossos delas. O imagético retoma aquela visão impressionante, concebida por Boyle e Garland, das torres feitas de crânios e afins. Em sua jornada solitária, a música antiga (dos anos 1990) é sua companheira – o que resulta em dois momentos impressionantes, novamente, ao som de Duran Duran e Radiohead. 

É ele também que será responsável por uma nova esperança para a humanidade ao criar um elo emocional com o zumbi gigantesco apresentado no longa do ano passado, a quem ele chama de Sansão (Chi Lewis-Parry), por sua força descomunal e seu cabelo longo. Coberto de iodo, por isso com a pele eternamente vermelha, Kelson encontra um companheiro.

Na outra ponta do espectro, está uma gangue à la Laranja Mecânica, liderada por Sir Jimmy Cristal (Jack O'Connell), também conhecido como JC, auto-intitulado filho de uma entidade, por isso, supostamente, detentor de poder. Seus discípulos levam o nome de Jimmy e usam uma peruca loira (um visual e nome que remetem ao famoso apresentador de TV britânico Jimmy Savile, acusado de pedofilia depois de sua morte em 2011), imitando os cabelos sujos e desgrenhados de seu líder. Eles tocam mais terror do que os zumbis, pois são mais fortes, saudáveis e imprevisíveis. 

É essa mesma gangue que sequestra Spike (Alfie Williams), o adolescente que foi figura central de Extermínio: A Evolução. Assustado com esses horrores, ele encontra em Jimmina (Emma Laird), a seguidora mais rebelde de Jimmy. O mundo destituído de regras e com conceitos morais rebaixados permite o surgimento de pessoas como os Jimmies, uma exacerbação dos horrores do presente. A teologia desenvolvida por Jimmy coloca-o numa posição de poder, e seu “pai” lhe permite tudo. 

Extermínio: O Templo dos Ossos é uma experiência cinematográfica que coloca a franquia numa posição nunca antes atingida, superando seu antecessor, e estabelecendo pontos com outros elementos da franquia, em especial na cena final. Agora é aguardar o terceiro longa, o esperado final, que ainda não foi ainda nem filmado. 

post