O conceito da animação francesa Maya, Me Dê um Título é bastante simples. O cineasta Michel Gondry, vivendo em um país diferente de sua filha, inventou um jogo para se manterem próximos: ela inventa o título para um filme, e ele cria um curta de animação correspondente a esse título, colocando-a como heroína.
Assim, mais do que uma coletânea de curtas animados, o longa final é uma declaração de amor entre pai e filha e ao cinema. O filme é, claramente, voltado para o público infantil da mesma faixa etária de Maya – o projeto começou quando ela tinha 4 anos e durou por 6 anos – que deixa se levar por voos da imaginação num mundo colorido, no qual não há amarras.
Com cores vibrantes, muita imaginação que privilegia o lúdico e uma trilha sonora esperta (assinada por Jean-Michel Bernard), filminhos como “Maya no oceano com um frasco de ketchup” ou “Maya assiste a um terremoto” são tão divertidos quanto reveladores da forma como funciona a criatividade infantil, partindo de acontecimentos reais e caminhando para algo surreal e absurdo.
Tecnicamente, o filme também impressiona. Gondry aprendeu sozinho a fazer animações depois de comprar um smartphone, e, aos poucos, os curtas vão se tornando mais complexos visualmente, sempre pautados pelo colorido e a combinação de técnicas. Mas, por mais que a tecnologia tenha um papel fundamental aqui, ninguém deve se enganar: é um filme que vem do coração, amparado na carpintaria artesanal de um pai que, por mais ocupado e distante que estivesse, sempre encontrou uma maneira de passar um tempo com sua filha.
