Pobre Menina Rica do começo dos anos 2000, Paris Hilton decide contar sua história no documentário Infinite Icon: Uma Memória Visual, um filme que inexplicavelmente chega aos cinemas brasileiros, quando seu destino deveria ser diretamente o streaming. Mais parecido com filme institucional do que cinema, o longa dirigido pelos estreantes J.J. Duncan e Bruce Robertson não podia ser mais laudatório.
O grande esforço de Paris o tempo todo é tentar nos convencer que a “cabeça de vento”, nas palavras dela, que ela era duas décadas atrás, foi apenas uma personagem que ela criou, e, que, no fundo, ela é mais sagaz do que parecia. O filme, no entanto, não convence ninguém disso, afinal, fica sempre a dúvida: por que foi mesmo que ela ficou famosa?
Neta do empresário Barron Hilton – dono da rede de hotéis luxuosos e falecido em 2019 –, ela foi deserdada, junto com toda a família em 2007, o que não a impediu de construir uma fortuna graças à sua fama e seu nome, além da rede de conexões. As profissões dela incluem socialite, DJ, estrela de reality show, atriz (em filmes como A Casa de Cera), cantora. Pejorativamente, a imprensa delegou a ela, também, os cargos de “famosa por ser famosa” e “celebuante”, uma combinação de celebridade com debutante.
Nada disso é exatamente desmistificado no documentário, que, no fundo, apenas adula sua protagonista numa verdadeira egotrip que reforça os estereótipos atribuídos a ela. Paris não desce do pedestal e nem se mostra como humana, pelo contrário, mesmo se esforçando para parecer o oposto, continua uma pessoa famosa (embora a fama seja bem menor em comparação com o começo do século) por ser famosa.
Haveria, obviamente, a chance de se fazer um filme interessante sobre o assunto, mas, para isso, seria preciso um olhar crítico à cultura de celebridades na era da internet e redes sociais – embora a fama de Paris seja anterior a esse celeiro de pessoas famosas por 15 minutos. Seria necessário atualizar, por exemplo, o que Guy Debord dizia sobre a sociedade do espetáculo, mas, claro, essa é uma empreitada que não interessa aos diretores J.J. Duncan e Bruce Robertson.
