18/07/2026
Suspense

Quarto do Pânico

Depois de perder o marido num assalto, uma mulher se muda com sua filha pequena para uma casa superprotegida. Porém, na primeira noite, o local é invadido por o trio, e ela e a menina se refugiam no quarto do pânico.

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Mais de vinte anos separam a versão original estadunidense de O Quarto do Pânico, e o remake brasileiro, Quarto do Pânico. Muito mudou em relação a sistemas de segurança e paranoia, mas o longa dirigido por Gabriela Amaral Almeida parece nunca se dar conta disso. Não que seja uma refilmagem cena a cena, mas é como se fosse. E assim, surge a pergunta: para que, então?

Não é novidade que Hollywood, por exemplo, refaça filmes estrangeiros ou mesmo novas versões de suas obras. Não é exatamente um problema, mas um sintoma de esgotamento. Aqui, o remake com roteiro de Fábio Mendes, segue tão de perto o original que não fica claro a razão do filme existir, afinal, nada tem acrescentar em termos de cinema, ou comentar em relação ao Brasil e nossa sociedade desigual. 

Amaral Almeida é uma diretora competente, e já fez seu próprio suspense de terror de confinamento, Animal Cordial, e aqui parece presa a uma lógica que não é a do seu cinema, a uma lógica que precisa repetir elementos hollywoodianos com diálogos fracos e atuações em muito sofríveis. 

Isis Valverde retoma o papel de Jodie Foster, uma mãe solo (aqui viúva), que está numa mansão que acaba de comprar com sua filha pequena (Marianna Santos). O local é isolado, grande e protegido com diversas câmeras, mas pouco depois delas se mudarem a casa é invadida por um trio em busca de algo que só eles sabem onde está. 

O líder é interpretado por Marco Pigossi, que faz um sujeito alucinado que coloca umas frases em inglês aqui e ali sem muito motivo. Seu comparsa é feito por Caco Ciocler, outro que não parece muito bem da cabeça, e revela ter trazido uma arma. Por fim, André Ramiro faz o mais sensato, um homem que foi chamado graças às suas habilidades. 

O resto, como se diz, é história, ou como diria o personagem de Pigossi, history. Quem já viu a versão original não terá surpresa, mesmo que o filme brasileiro ensaie aqui ou ali mostrar que nossa relação com a tecnologia mudou – mudou, mas o suspense de Amaral Almeida não explora muito isso. O que fica mesmo é a sensação de frustraçã de ver uma diretora tão talentosa e criativa envolvida numa refilmagem insossa, quando poderia investir seu talento numa história original. 

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