19/07/2026
Documentário

Pele de Vidro

Conhecido como "Pele de Vidro", o Edifício Wilton Paes de Almeida, no centro de SP, foi erguido nos anos de 1960 e se tornou um símbolo da arquitetura modernista no Brasil. A filha do arquiteto que o concebeu assina esse documentário sobre a história do prédio, que desabou em 2018.

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"Pele de Vidro" foi o apelido dado ao Edifício Wilton Paes de Almeida no Largo do Paissandu, no centro de São Paulo, assinado pelo arquiteto Roger Zmekhol. Ocupando um terreno de 650 m², com uma área construída de 12mil m², era feito de lajes de concreto e estruturas metálicas, e finalizado com vidros em toda sua parte externa. Uma obra modernista única na paisagem urbana da cidade. 

Pele de Vidro, o documentário, é dirigido por Denise Zmekhol, filha do arquiteto, que começa o filme com o intuito de registrar a obra de seu pai, morto em 1976, e, por meio do cinema, reatar os laços com ele e resolver questões pendentes do passado. Em sua primeira parte, o filme se concentra na relação da cineasta com o pai, e na importância do prédio que serviu de sede para a CVB – Companhia de Vitrais do Brasil, entre outras empresas inicialmente.

Por conta de dívidas do dono da CVB com a Receita Federal, o prédio passou a ser propriedade da Governo Federal, abrigando a Polícia Federal, até 2003, quando foi esvaziado, e, tempos depois, ocupado pelo Movimento Luta por Moradia Digna (LMD), abrigando quase 150 famílias. Foi nesse contexto que, em 2018, ocorreu um incêndio que levou o Pele de Vidro ao chão, deixando, pelo menos, 8 mortos e centenas de desabrigados.

Colocando-se em primeira pessoa no filme, Denise reconta toda essa história a partir de imagens de arquivo, entrevistas e filmagens do exterior do prédio antes da tragédia. Diversas vezes, ela tentou autorização dos moradores para entrar no prédio, como mostra no filme, mas sempre recebeu uma resposta negativa. Conforme descobre-se depois, eram os líderes que negavam sua entrada, pois queriam esconder as condições precárias em que viviam os ocupantes. 

O desabamento do Pele de Vidro adiciona uma nova camada para o filme, além de ser uma reviravolta. É quando, finalmente, a diretora tem acesso aos moradores e encontra pessoas em situação de grandes dificuldades morando em barracas no Largo do Paissandu. Da conversa com elas, a cineasta descortina essa dura realidade e o abismo socioeconômico do Brasil.

Segundo o Censo de 2022, em São Paulo há mais de 590 mil imóveis abandonados. Já de acordo com o levantamento do Observatório Brasileiro de Políticas Públicas com a População em Situação de Rua, da Universidade Federal de Minas Gerais, há pouco menos de 100 mil pessoas em situação de rua na cidade. O documentário Pele de Vidro escancara essa contradição. 

 

 

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