18/07/2026
Documentário Drama

O Silêncio de Eva

Eva Nil foi uma figura cara do cinema mudo brasileiro, sendo considerada a atriz favorita de Humberto Mauro. O filme resgata a trajetória dessa mulher, que abandonou a carreira no auge, o que lhe rendeu o apelido de "Greta Garbo brasileira".

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O documentário O Silêncio de Eva nasce de lacunas e desafios. A figura do título é Eva Nil, atriz mineira, que ficou conhecida como a “Greta Garbo brasileira”, quando abandonou o cinema, aos 20 anos e se dedicou à fotografia com o pai, o imigrante italiano Pietro Comello. Nascida no Cairo em 1909, ela veio para o Brasil em 1914, e cresceu em Cataguases (MG), onde morreu em 1990.

O longa de Elza Cataldo nasce da curiosidade sobre essa mulher que fez apenas quatro longa (todos hoje perdidos), e foi uma das atrizes favoritas de Humberto Mauro, duas vezes capa da revista Cinearte, e se tornou uma lenda viva ao ficar reclusa no auge da fama, por não concordar com o amadorismo do cinema brasileiro de sua época. 

Cataldo tenta se virar com o pouco que sobrou sobre Nil, mas isso não a impede de trazer a história dessa figura importante e esquecida. O projeto nasce do desejo da atriz mineira Inês Peixoto, do grupo Galpão, que resgata a história da pioneira com a ajuda de sua filha, a também atriz Bárbara Luz, e do pai da garota e seu marido, o ator Eduardo Moreira.

O trio mergulha com Cataldo nessa busca e resgate. Momentos lacunares são cobertos por encenações poéticas, nos quais o filme imagina episódios da vida de Nil. É uma saída lúdica e visualmente criativa para contar uma história marcada pela ausência de materiais de maior fôlego. A empreitada em família remete à própria biografada, que trabalhou com o pai, que foi diretor de fotografia e cineasta (a filha atuou em seu filme Senhorita Agora Mesmo), antes dos dois se dedicarem exclusivamente à fotografia. 

Contando essa história de uma figura tão importante e driblando as limitações de material, O Silêncio de Eva medita, de forma adjacente, sobre nossa memória histórica, especialmente, sobre o cinema brasileiro. Se há tão pouco sobre Eva Nil, considerada a musa do cinema silencioso nacional, o quanto não foi perdido sobre tantas outras e tantos outros? 

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