Não deixa de ser curioso como o título A Maldição da Múmia é enganador. Primeiro, tecnicamente, a personagem nem é exatamente uma múmia, pois está viva. Além disso, mesmo que seja tomada como múmia, a maldição nem parte dela e, nesse sentido, é mais um filme de exorcismo do que de arqueologia.
Lee Cronin, ainda aproveitando do sucesso de A Morte do Demônio: Ascensão (2023), não arrisca muito, criando um filme de múmia mais próximo dessa sua obra do que dos clássicos das criaturas milenares e enfaixadas. Assinando o roteiro e a direção, ele tem ainda mais comando aqui, num filme que não faz feio no quesito sanguinolência e com momentos impressionantes – alguns beirando o cômico.
Charlie Cannon (Jack Reynor) mora com sua família no Cairo, onde trabalha como correspondente de um telejornal estadunidense. Sua mulher, Lari (Laia Costa), é enfermeira e está grávida. Seus filhos pequenos, Katie (Emily Mitchell), e Seb (Dean Allen Williams), não veem a hora de voltar para casa nos EUA. Tudo indica que isso acontecerá em breve, não fosse um pequeno detalhe: a menina é sequestrada.
Oito anos depois, eles já estão de volta a Albuquerque, nos EUA, morando com a mãe de Lari, a mexicana Carmen (Veronica Falcón), e os filhos, Seb (Shylo Molina), e a pequena Maud (Billie Roy), que conhece a irmã só das histórias que os pais contam e do quarto que até hoje a espera. E a surpresa para a família é que Katie foi encontrada viva, mas num estado deplorável, pois foi maltratada e mantida longe do sol esse tempo todo.
A maquiagem que colocam na atriz Natalie Grace, que interpreta Katie adolescente e possuída, é impressionante: as camadas de pele envelhecida, além do cabelo, olhos e tudo mais. Os pais ficam assustados ao ver a filha assim, mas a levam para casa pois, segundo um médico egípcio, ela precisa da família agora. O reencontro com o irmão e a avó, além da apresentação da nova irmã, não vai muito bem pois, quando Katie não está catatônica, ela está violenta.
Lari faz de tudo para proteger a filha e para que ela se sinta amada, enquanto Charlie ainda procura desesperadamente saber o que aconteceu com ela, por isso mantém contato com uma detetive de polícia (May Calamawy) no Egito. As idas e vindas de um país para o outro fazem parecer que as cidades do Cairo e Albuquerque ficam uma ao lado da outra.
Tudo isso é uma desculpa para Cronin fazer um espetáculo de bizarrices que nunca devem ser questionadas, pois pouco faz sentido – e isso não importa. Enquanto o filme corre, a imaginação do diretor voa. Com pouco mas de duas horas, A Maldição da Múmia é um filme mais longo do que deveria ser, tornando-se repetitivo no meio, até que finalmente as coisas começam a andar, com direito a um dos funerais mais doidos da história do cinema.
