18/07/2026
Drama

Seis Dias Naquela Primavera

Sana leva seus meninos gêmeos para passar alguns dias na casa de veraneio dos ex-sogros, na Côte d’Azur. Os antigos parentes não foram informados, o que acabará trazendo problemas a ela.

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Não é a primeira vez que o cineasta belga Joachim Lafosse passa por uma síndrome de branco salvador. Embora, em Seis dias naquela primavera, não exista nenhum personagem exatamente com esse perfil, é o próprio diretor que se coloca como o bom samaritano em seu retrato marcado pelo clichê de personagens negros. 

A protagonista do longa é Sana (Eye Haïdara), mulher negra e mãe que acaba de se divorciar e trabalha num restaurante. Numa primavera, ela leva seus filhos gêmeos, Raph e Tom (interpretados pelos gêmeos Leonis e Teodor Pinero Müller) para uma viagem como faziam antes. Além deles, também está o técnico de futebol dos meninos, Jules (Jules Waring), namorado secreto de Sana. 

Por um imprevisto, ela decide que vão se hospedar numa casa luxuosa na Côte d’Azur. O imóvel pertence aos seus antigos sogros – a quem, obviamente, ela não informa que estão lá, pois eles não querem mais contato com Sana após o divórcio. Tudo vai muito bem, até que algumas pessoas aparecem em sua porta. 

Casa, como um espaço mais do que cênico, é de interesse a Lafosse como cineasta. De ambiente de moradia ao acolhimento simbólico, o imóvel está pesente em seus filmes. Aqui, a casa luxuosa é um retrato de classe e privilégios que são negados a Sana e aos seus filhos. Mas o diretor esmaece a tensão num filme em que, durante boa parte de sua duração, é apenas um retrato das personagens aproveitando o ambiente e a praia.

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