A diretora Leila Hipólito já havia mostrado talento e concisão em seu curta Momento de Decisão, premiado no Festival de Gramado de 1997. Neste seu longa de estréia, porém, o resultado deixa a desejar. Ela adapta a comédia de William Shakespeare, As Alegres Comadres de Windsor, trazendo a intriga para o cenário da Tiradentes do século XIX. As duas comadres do título são madame Lima (Zezé Polessa) e madame Rocha (Elisa Lucinda). Ricas e bem-casadas, tornam-se objeto do desejo de um malandro e ex-militar, João Fausto (Guilherme Karam), que decide fazer corte simultânea às duas e obter favores sexuais e financeiros. A tramóia sai pela culatra e as duas mulheres vingam-se do trapaceiro. A fluidez da história fica um tanto comprometida pela opção por uma linguagem rebuscada de época para os diálogos - por mais que o bom elenco se esforce pela naturalidade. Há alguns tropeços na caracterização de época, como o bigode notoriamente postiço de Ernani Moraes e alguns cortes de cabelo ultramodernos de alguns integrantes do elenco. Por mais que se concedam licenças por se tratar de uma comédia, são pequenos detalhes que comprometem o todo. Talvez tivesse sido melhor se a diretora tivesse optado por uma receita mais simples.
