PRK-30 foi um programa humor que estreou na Rádio Mayrink Veiga, em 1944, e, posteriormente, foi transferido para Rádio Nacional, passando pela Record e Tupi, e terminou em 1964. O prefixo do título dava a ideia de uma rádio clandestina, e fazia sátira da programação da época. Um modelo que mais tarde seria replicado por televisivos como TV Pirata, Casseta & Planeta e Tá no Ar: A TV na TV. O documentário PRK 30 - O Rádio Pelas Avessas, de Eduardo Albergaria, resgata essa história, mas o faz de maneira extremamente burocrática, o que é um paradoxo dada a inventividade do programa radiofônico
Criado por Lauro Borges e Castro Barbosa, PRK-30 revolucionou a rádio brasileira, trazendo uma percepção urbana, ao contrário da interiorana até então vigente nessa mídia. Os dois comediantes interpretavam dezenas de personagens. O filme traz gravações da época, e mostram a sagacidade do humor do programa, e doses de saudosismos por parte dos entrevistados e entrevistadas. “Esse era um Brasil que encantava, e agora não existe mais”, diz um deles.
Esse é o tom do documentário que cumpre bem a função do resgate, mas evita pensar na herança que o programa deixou ao humor brasileiro. Fala-se bastante de como o programa era feito, da sagacidade de Borges e Barbosa de criarem tanto com tão pouco. O ator Claudio Mendes e o maestro Tim Rescala recriam esquetes a partir de roteiros da época para um público presente na transmissão, aos mesmos moldes de como era na época. E esse é um dos pontos altos do longa.
Um rolo do filme Abacaxi Azul, de 1944, dirigido por Wallace Downey, foi encontrado no acervo da Cinemateca Brasileira e nele havia o único registro em imagens do programa, que levou ao cinema Otelo Trigueiro e Megatério Nababo d'Alicerce, personagens mais famosos da dupla de criadores.
