16/09/2026

Bryan trabalha fazendo entregas de materiais biológicos para hospitais, quando recebe a missão de entregar algo num hospital em Racoon City, Sua longa jornada noite adentro está só começando. Nos cinemas.

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A nova entrada no cânone cinematográfico Resident Evil, dirigida por Zach Cregger, é tão boa que nem parece um filme da série. Abraçando com gosto a estrutura de um videogame, o diretor de A Hora do Mal, faz um terror que realmente é um longa de terror, deixando de lado as estripulias e cortes acelerados que fizeram a fama da franquia nas mãos de Paul W. S. Anderson.

Cregger, que assina o roteiro com Shay Hatten, não ignora o que veio antes, mas nem por isso está preso à mitologia game ou linha do tempo das sete adaptações, lançadas entre 2002 e 2021. Se em seus dois longas anteriores, A hora do mal e Noites, o diretor provou que era capaz de criar regras, aqui ele se mostra mais do que apto a quebrar regras preexistentes, sem abrir mão de uma narrativa simples mas eficiente. Os zumbis aqui se transformaram em outra coisa, muito mais perigosa e assustadora, elevando o filme ao body horror sem qualquer pudor. 

Em entrevistas, o cineasta contou que havia escrito um roteiro original quando foi contratado para ressuscitar a franquia, unindo as duas coisas: suas ideias com o universo do jogo. Nessa nova empreitada, o protagonista é um sujeito comum: Bryan (Austin Abrams), que trabalha transportando órgãos para transplante de um hospital a outro. Depois da última entrega do dia, recebe uma missão séria, com o pagamento bem mais alto que o comum, para entregar uma bolsa térmica com um órgão em um hospital com a máxima urgência em... bem, na famosa Racoon City, local icônico do universo de Resident Evil, e onde coisas horríveis acontecem.

A noite é de neve, e a estrada está escorregadia, e um acidente dá início a uma longa jornada de horror e nojeira, marcada por uma direção elegante e precisa de Cregger, que conduz o filme com pulso firme. Seguindo a configuração de qualquer videogame, Bryan tem tarefas a cumprir e obstáculos a superar. E, ao contrário de muita adaptação de jogos, esse Resident Evil não está nem um pouco envergonhado de sua origem, e a usa para o máximo proveito da trama, e até zomba disso. 

Introduzindo uma boa dose de humor a esse universo, o longa é conduzido por um homem comum diante de uma situação aterrorizante e extraordinária. Diferentemente da cartilha de Hollywood, Bryan parece ser o único estadunidense que não nasceu sabendo usar uma arma. O horror começa aos poucos, primeiramente, a partir de apenas algumas sugestões, até que se torna o tom dominante com sustos e vísceras para todo o lado. 

Independente de ser parte da franquia ou não – não é necessário nenhum conhecimento prévio para compreender o filme, pequenas explicações são dadas – esse Resident Evil se coloca como um dos terrores mais divertidos de 2026 – num ano em que, depois do bem-sucedido 2025, o gênero anda sofrendo em busca de algo minimamente bom, para além de Obsessão.

 

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