24/09/2026
Comédia

Hotel Amor

Catarina é gerente do Hotel Amor, e descobre que o local foi vendido, mas, para manter seu emprego, num dia atribulado, ela tenta se mostrar muito eficiente e necessária, em meio a problemas e à presença de uma celebridade, o humorista Marcelo Adnet que fará uma apresentação na cidade.

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Raramente justifica-se um filme inteiro em plano-sequência. O exemplo mais caro e claro da necessidade de tal feito está no russo Arca Russa, de Alexander Sokurov, cujo fluxo é como uma jornada pela história de seu país. A comédia lusitana Hotel Amor é “feita” num plano-sequencia – possivelmente falso pois há momentos típicos de uma transição de um plano a outro, como quando a câmera passa por um corredor escuro. Seja feita nesse formato ou não, nada justifica a peripécia. 

Como se sabe, humor é algo muito peculiar, especialmente um humor mais popular, e, por isso, não costuma viajar bem de um país para outro. Aqui, não parece, no entanto, ser o caso, basta olhar os comentários de cinéfilos e cinéfilas portuguesas no Letterboxed para ver que no seu país essa comédia também não foi bem recebida. 

Para o público nacional há – ou deveria haver – um atrativo com a presença do comediante Marcelo Adnet, “interpretando” a si mesmo indo a Lisboa, onde fará uma apresentação. Mas não há muito fôlego ou novidade na participação dele, que inclui imitações de Silvio Santos a um barman português que não conhece o apresentador brasleiro.

A narrativa é protagonizada por Catarina (Jessica Athayde) uma gerente que faz de tudo para provar que é competente e manter o cargo agora que o Hotel Amor foi vendido. Para isso, ela anda de um lado para outro atendendo e agradando hospedes, então tome planos de corredor e escadas, com ela sempre andando, e quando a câmera não a segue, segue outra pessoa em movimento – muitas vezes é Adnet, como quando está em busca do restaurante do hotel, e depois é paparicado por um garçom.

Dirigido por Hermano Moreira, e cenários limitados e personagens sem qualquer desenvolvimento ou carisma, Hotel Amor é sufocado pela sua ambição de transmitir urgência com um plano-sequência. No fim, não faz bem nem o feito técnico, nem o mais básico de uma comédia. 

 

 

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