14/10/2026
Suspense Terror Aventura Drama

Dentro da Baleia

Enquanto procura os restos mortais de seu pai, o mergulhador Jay Gardiner é engolido por uma gigantesca baleia - e passa a ter apenas uma hora para escapar de dentro dela, antes que seu oxigênio acabe.

post-ex_7

Apoiado em sua fama em sucessos recentes do terror - Resident Evil (2026) e A Hora do Mal (2025) -, o jovem ator Austin Adams foi a escolha perfeita para protagonizar Dentro da Baleia, um filme de horror físico e claustrofóbico em que, é claro, ele é engolido por uma baleia gigantesca.

A história, fantástica e cheia de licenças poéticas, baseia-se num livro de sucesso, escrito por Daniel Kraus, e dá um bom material para um suspense de aventura, dirigido por e corroteirizado por Brian Duffield. As licenças ficam por conta da imaginação que é preciso ter para aceitar a premissa: afinal, baleias, por maiores que sejam, não engolem seres humanos. Um caso eventual, ocorrido no Chile há um ano, comprova isso - a baleia engoliu acidentalmente um homem que estava num caiaque, apenas para rapidamente cuspi-lo, assim que constatou que ele não era um alimento adequado. Tudo não passou de um susto daqueles…

No caso do filme, a coisa vai bem mais longe. Jay (Austin Adams) é o filho rebelde de Mitt Gardiner (Josh Brolin), um exímio e veterano mergulhador, que acaba de morrer. Os dois tiveram, ao longo da vida, uma relação atribulada, devido às evidentes diferenças de personalidade. Mitt, um homem da natureza, de instintos um tanto brutos, que quer transformar um filho num sucessor. Mas Jay, ao contrário, tem um temperamento mais contido, resiste às investidas do pai e decide cursar a universidade longe dali.

Com a morte do pai, o buraco emocional na família se torna maior. Como Mitt decidiu pular no mar, evitando assim a longa convivência com uma doença incurável, Jay decide que é o momento de tentar resgatar seus restos mortais na baía perto de sua casa. Conta, para isso, com o treinamento que teve do pai ao longo de toda a vida. Mas não contava com o desafio de topar com a enorme cachalote, que o engole, com roupa de mergulho, tanque de oxigênio e tudo. 

Boa parte do filme se passa nesse ambiente claustrofóbico do interior da baleia, criado com perfeição como cenário. Jay tem que calcular rapidamente como escapar dali, pois seu tanque de ar não dura mais de uma hora, e o pouco ar ali dentro é tóxico. Fora isso, tem que defender-se de outros animais engolidos pela baleia, como uma lula gigante, cheia de tentáculos, e águas-vivas com alto potencial para queimar sua pele.

Se esse horror físico do protagonista é real, com riscos de afogamento, esmagamento e lutas contra esses animais, é bom que de vez em quando se abram brechas para alguns flashbacks, que ajudam a explicar a família Gardiner e a complexidade dessa relação pai-filho. Nesses momentos, brilha o talento de Josh Brolin, como esse pai genioso, tantas vezes agressivo, mas genuinamente interessado em proteger o filho e prepará-lo para muitos embates futuros. Jay nem imaginava que seria tão importante lembrar dos conselhos paternos, tornando os momentos dentro da baleia uma espécie de diálogo à distância com Mitt. 

Se se pode lembrar, eventualmente, da fábula bíblica de Jonas dentro da baleia, a verdade é que a referência passa de longe. Ficam em primeiro plano a luta desesperada pela sobrevivência, com alguns momentos de body horror, e uma clara intenção de pacificar o relacionamento entre pai e filho, ainda que remotamente.

Não resta muito espaço ao elenco feminino, formado pela veterana Elisabeth Shue, como a mãe, e Emily Rudd e Jane Levy, como as irmãs de Jay. Esta é uma história de amadurecimento e superação pensada para ser mesmo genuinamente masculina.

 

post