Um pouco de riso, um pouco de drama e um pouco de sentimentalismo piegas que emocionam os menos cínicos. Com estes ingredientes o diretor Boaz Yakin (Duelo de Titãs e Fresh) desenrola uma história simples e cativante sobre crescimento, responsabilidade e amizade. Quem achar os eixos temáticos muito comuns, estará certo. Afinal, a marca essencial de filmes como Grande Menina, Pequena Mulher é a sua previsibilidade e transparência. Aqui, vale mais entreter os espectadores com situações inusitadas do que propriamente contar a história. Um dos fatos que reflete essa idéia é o pífio resultado que filmes do gênero obtêm no cinema. Geralmente fazem mais sucesso nas locadoras, quando atraem famílias e casais ansiosos por domingos calmos em casa, comendo pipoca e esquecendo por um par de horas de seus problemas domésticos. Tudo muito moderado, para não pesar na hora de dormir e não atrapalhar o dia seguinte no trabalho. O filme mostra a florescente relação entre Molly (Brittany Murphy) e Ray (Dakota Fanning). A primeira é filha de um astro do rock, vítima de um acidente de avião. Assim, viveu uma vida repleta de privilégios, às custas da pomposa herança deixada pelo seu famoso pai. No entanto, a tal herança desaparece com um seu contador vigarista e, na penúria, acaba sendo forçada a trabalhar como babá de Ray. Esta, uma neurótica menina de oito anos, obsessiva compulsiva, que aparentemente é incapaz de desfrutar de sua tenra idade. A principio, como é de se imaginar, ambas se detestam, o que trará o humor a tona. No entanto, está mais do que claro que vão ter de aprender a conviver em uma caótica combinação de humores e visões de mundo. O roteiro irregular deixa nas mãos do carisma das atrizes centrais a tarefa de mostrar o quão diferentes são e de que forma essa junção poderá chegar a um equilíbrio, clímax da trama. E as atrizes não fazem feio. Brittany Murphy parece continuar com sua dieta balanceada de filmes de estúdio e cinema independente. Personalidade para diferentes projetos ela já mostrou ter em filmes como Spun (2002) e em comédias-família como Recém Casados (2003) e mesmo em produções como 8 Mile (2002), em que finalmente conseguiu um reconhecimento efetivo. E Dakota Fanning continua a esbanjar talento, como o já visto em Uma Lição de Amor (2001), com o qual foi a mais jovem atriz indicada a um prêmio do Screen actors Guild.No entanto, deve ser acrescentado aqui certas falhas do diretor Boaz Yakin, que não conseguiu - ou não quis - cortar certos exageros no comportamento dos personagens. Some-se a isso, a profusão de clichês espalhados por toda a trama, principalmente o fim, quase destruído pelas mais tenebrosas formas que o diretor encontrou de emocionar seu público. Brittany e Dakota conseguem suavizar tudo e é justamente por elas que vale a pena ir ao cinema.
