A estrela maior do cinema americano, Julia Roberts, perdeu uma ótima oportunidade de produzir um bom filme sobre um tema que mantém o interesse feminino - o conflito entre emancipação profissional e o casamento. Com a própria Julia à frente do elenco, somando forças ao diretor inglês Mike Newell (Quatro Casamentos e um Funeral), a história parecia ter tudo para funcionar. Mesmo com tanto a seu favor, o conjunto derrapa num amontoado inacreditável de clichês e numa releitura do feminismo sob a chave do manual de correção política mais superficial.O roteiro, de Lawrence Konner e Mark Rosenthal, inspira-se declaradamente num artigo escrito por ninguém menos do que a senadora e ex-primeira dama, Hillary Clinton. Mas é claro que Hillary não tem a menor responsabilidade no resultado final desta "adaptação", que não se esquiva do menor chavão ou banalidade. Existe a professora de arte vinda da Califórnia (Julia) que desembarca numa faculdade feminina da fria costa leste, a tradicional Wellesley, colocando-se como contestadora de uma filosofia educacional descaradamente "espera-marido". Entre as alunas, a filhinha-de-mamãe que enfrenta a professora em defesa da tradição (Kirsten Dunst), a semi-liberada que oscila entre o noivado e a faculdade de Direito (Julia Stiles), a safadinha de plantão (Maggie Gyllenhaal) e a boazinha de coração de ouro (Ginnifer Goodwin). Até o conquistador do pedaço tinha que ser professor de...italiano (Dominic West).Por conta do entulho de banalidades, tanto no delineamento da história como das personagens, o filme não emociona, não carrega - um desperdício do carisma indiscutível de Julia, uma boa atriz que ultimamente tem se entregue a todo tipo de produções caça-níqueis ou então ralas, que não lhe requerem o mínimo empenho - caso desta.É de se lamentar, igualmente, a perda da oportunidade de oferecer material melhor ao elenco jovem, onde se alinham algumas das melhores atrizes da novíssima geração, como Kirsten Dunst, Julia Stiles e Maggie Gyllenhaal.Até dá para acreditar que as personagens enfrentem limitações ao seu desenvolvimento por se encontrarem nos anos 50. Mas o sufoco que a história lhes impõe nunca soa verdadeiro. Por isso, elas nunca respiram, nunca parecem de carne e osso. O maniqueísmo engole tudo.
