18/07/2026
Comédia

O Monge à Prova de Balas

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As cenas iniciais tentam enganar, mas dez minutos depois a verdade vem à tona. O Monge à Prova de Balas não é da mesma estirpe de O Tigre e o Dragão. A única coisa que está comédia tem em comum com a obra-prima de Ang Lee, além de algumas cenas com artes marciais, é a presença do carismático Chow Yun-Fat. Este filme para adolescentes, que fez pouco sucesso nos EUA e ficou quase um ano nas prateleiras da distribuidora brasileira, está mais para A Hora do Rush, aquela comédia sobre "choque de culturas" e muitos pontapés, com Chris Tucker e Jackie Chan.

Yun-Fat é um monge que, na época da II Guerra Mundial, vive confinado em um mosteiro treinando artes marciais e meditando. Ele recebe uma difícil missão de seu mestre: tomar conta de um pergaminho sagrado, que torna indestrutível a pessoa que o ler. No momento em que recebe esta relíquia, o monge se torna imortal, ou seja, à prova de balas, e não envelhece. Nessa mesma hora o mosteiro é atacado por um nazista (Karel Roden) sedento pelo poder que tenta conseguir o pergaminho a todo custo, chegando a matar diversos monges, inclusive o mestre. Mas ele não consegue ficar com a relíquia.

Sessenta anos depois, o monge e o pergaminho desembarcam em Nova York em busca daquele que será o novo guardião. Segundo uma profecia, tudo leva a crer que o escolhido é Kar (Seann William Scott, o Stiffler de American Pie, posando de herói). É nessa hora que o filme mais se assemelha à A Hora do Rush, tentando tirar proveito da situação do "peixe fora d'água" (o monge em Nova York) e da suposta química entre a dupla (inexistente).

Além disso, o líder nazista ainda não morreu, e a idade não acabou com sua vontade nada original de dominar o mundo. O bandidão consegue rastrear o Monge e o pergaminho, e contará com a ajuda de sua neta Nina (Victoria Smurffit) para tentar colocar as mãos na peça poderosa. O Monge e Kar, por sua vez, têm a seu lado uma garota que se intitula Bad Girl (Jaime King), uma rica herdeira de um mafioso russo que possui vários aparatos tecnológicos e os ajudará na hora de fugir do não tão neo-nazista.

A partir de então, o filme segue a cartilha do gênero: brigas (com e sem artes marciais), explosões, um frio romance e um suposto senso de humor que talvez só o público americano consiga achar graça. Por mais carismático e esforçado que Yun-Fat seja, não há como contracenar com Scott, o astro de Cara Cadê Meu Carro?, que continua a desfilar suas caretas.

O mais impressionante é que entre os produtores do filme está o cineasta John Woo, que já assinou sucessos com A Outra Face e A Última Ameaça, mas que não tem feito sucesso ultimamente. Woo parece não estar na melhor fase de sua carreira. Seus mais recentes filmes Códigos de Guerra e O Pagamento (ainda inédito no Brasil) foram mal de público e crítica.

A direção é do estreante Paul Hunter, veterano de comerciais e videoclipes de Mariah Carrey a Jennifer Lopez entre outros. O roteiro é baseado em uma série de quadrinhos não muito famosa, e ainda inédita no Brasil, publicada pela Flypaper nos Estados Unidos, que com certeza não é do tipo que tem apelo para o grande público, como X-Men e Homem- Aranha.
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