04/06/2026
Comédia

Sob o Sol da Toscana

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Quem pensar que Sob o Sol da Toscana é apenas mais um filme feito especialmente para mulheres poderá ter uma grata surpresa. Baseado no divertido livro "semi-autobiográfico" de Frances Mayes, a produção se ajusta perfeitamente aos parâmetro requeridos pelo gênero, mas vai além ao encantar pela leveza de seu humor e pela sensível homenagem ao cinema italiano, presente em todo o filme nas citações ao diretor Federico Fellini e seus filmes.

No começo de Sob o Sol da Toscana conhecemos Frances (Diane Lane), uma escritora cuja a vida parece ser perfeita, até que descobre a infidelidade do marido. Depois de um amargo divórcio, e graças ao entusiasmo de sua amiga Patti (Sandra Oh), Frances decide viajar para a Itália para esquecer seus problemas e iniciar uma nova vida.

No entanto, uma vez na bela Toscana, sua "nova vida" parece sair do controle, quando impulsivamente compra uma vila quase em ruínas, com a esperança de restaurá-la e viver lá pelo resto da vida. Não há lógica em sua ação, evidentemente quem manda é o coração.

Assim, não há como não entender que a reforma da vila é uma transparente metáfora sobre a reconstrução da própria vida. E, claro, em sua viagem encontrará todo o tipo de pitorescos personagens, incluindo o lascivo Marcello (Raoul Bova), moreno, misterioso e, sem dúvida, a personificação das fantasias de grande parte do público potencial da produção.

E é essa realização de fantasias femininas que mantém o enredo vivo. Não apenas na pele de Frances, mas no exército de personagens que a rodeiam. Destaque maior para a atriz Lindsay Duncan, que na pele da fogosa Katherine, pupila de Fellini na trama, evidencia a preocupação da diretora Audrey Wells - que também assina o roteiro - em enaltecer os clássicos do cinema italiano.

Mesmo assim, quem levanta o filme é a atriz Diane Lane. Com sua luminosa presença, ela dá fôlego, mesmo nos pontos em que a história derrapa na profusão de clichês do gênero. Desta forma, o público vê uma figura firme, mas vulnerável, com quem pode se identificar e compartilhar as inusitadas situações envolvendo a figura de Frances Mayes.

Não deixa ser importante lembrar que na tradução de uma obra literária para o cinema, freqüentemente se perde a voz do autor - aqui, da autora -, que é afinal a alma da história. O cinema, que deve se conformar com a fria adaptação de palavras e imagens, nem sempre consegue captar o espírito da obra. Afortunadamente, em Sob o Sol da Toscana, a habilidade na direção de Audrey, a sensibilidade de Diane e o eco de um cinema de referência, criam uma atmosfera encantadora e honesta. Some-se a isso, o peso de se fazer um filme na fascinante Itália.
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