21/07/2026
Drama

Terra de Sonhos

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Apesar de não se tratar de uma das melhores obras do diretor Jim Sheridan, responsável pelos excelentes Meu Pé Esquerdo (1989) e Em Nome do Pai (1993), Terra de Sonhos não deixa de ser um belo presente para quem gosta de dramas cotidianos. Com uma história simples, Sheridan constrói uma tocante narrativa sobre perdas, família e, claro, sonhos a serem alcançados. Tudo isso, com Nova York ao fundo, em uma sutil homenagem à terra na qual o próprio diretor chegou para recomeçar a vida, depois de deixar a Irlanda. O filme concorre a três Oscar, incluindo o de melhor atriz para Samantha Morton.

A semelhança está longe de ser uma coincidência. O roteiro, escrito pelo diretor, com ajuda de suas duas filhas (Naomi e Kirsten Sheridan), é baseado nas experiências que a própria família viveu na época em que chegou à América. O trio chega a afirmar até que recriaram seqüências inteiras a partir de lembranças, tal como imaginadas pelo diretor japonês Hirokazu Kore-eda no filme Depois da Vida (1998). Um detalhe que enriquece ainda mais a sensibilidade transbordante da produção.

O filme começa com a chegada de uma família de imigrantes irlandeses a Nova York. Ilegais e sem dinheiro, conseguem apenas alugar um apartamento em um cortiço da periferia da cidade, onde passam a conviver com traficantes, drogados, prostitutas e outros antiexemplos para as pequenas Christy e Ariel, as duas filhas do casal Johnny e Sarah. Todos querem esquecer o passado, que sempre volta na lembrança do filho morto, Frankie, vítima de um tumor cerebral.

O que torna a história rica é o fato de ser retratada pelos olhos da filha mais velha do casal, que não aparenta ter mais de 12 anos. É a partir de suas crenças e seus desejos, que o espectador fica livre de todo um arsenal dramático, comuns nesse tipo de produção. Embora não deixe de ser uma saída um tanto arriscada - podendo cair facilmente em uma infinidade de clichês -, no filme fica muito bem realizada, moderada, sem exageros.

Mesmo quando a família conhece o vizinho artista plástico, Mateo (Djimon Hounsou), soropositivo em fase terminal, o fato se dá de forma mais lúdica do que propriamente dramática. Muito embora, no fim, fique a dúvida se a superficialidade como é tratado o tema se deva ao fato de que a menina não saiba o que está acontecendo, ou talvez pelo personagem Mateo ser completamente mal aproveitado na trama.

De qualquer forma, o trabalho dos atores Samantha Morton (Minority Report, Poucas e Boas), como Sarah, e Paddy Considine (A Festa Nunca Termina), na pele de Johnny, dá toda a profundidade dramática necessária ao filme. Detalhe que mostra também o talento do próprio diretor com seu elenco. Não se pode esquecer que ele fez despontar até então desconhecidos, como Daniel Day Lewis, para o estrelato.

Mas, quem rouba o filme mesmo são as duas meninas, irmãs também fora das telas. Emma e Sarah Bolger são encantadoras e conseguem levar não apenas a produção nas costas, mas também muitos espectadores ao riso e às lágrimas. E por causa delas, poucos sairão do cinema sem acreditar nas qualidades terapêuticas das balas de limão.
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