19/07/2026
Drama

Noites de Lua Cheia

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Uma das mais bem-realizadas criações de Eric Rohmer, dentro da série "Comédias e Provérbios", o filme traz uma das personagens femininas mais ricas da obra do diretor: Louise, vivida pela atriz Pascale Ogier, premiada com a melhor interpretação do Festival de Veneza/1984 e que morreu tragicamente no mesmo ano, de um ataque do coração um dia antes de seu 26º aniversário.

Por essa morte precoce, a atriz não teve, portanto, oportunidade de desenvolver uma carreira que parecia promissora. Seu desaparecimento confere uma nota trágica, portanto, a quem assiste ao filme hoje - embora a história esteja embebida de vitalidade e busca de paixões.

Muitos roteiristas de Hollywood - senão todos - poderiam aprender com Rohmer como delinear um retrato complexo, intenso e sensível de uma personagem feminina. Aqui, ela se torna virtualmente de carne e osso na pele de Louise (Pascale Ogier), uma jovem na faixa dos 20 anos que começa a desdobrar todas as procuras que definirão sua vida adulta. Ela acaba de formar-se em Belas Artes e trabalha num escritório de decoração - um emprego que lhe dá estabilidade financeira mas nenhum prazer, já que ela bem que preferiria dedicar-se à criação de objetos artísticos, como os abajures originais que enfeitam sua casa.

O provérbio que abre o filme: "Aquele que tem duas mulheres, perde sua alma; aquele que tem duas casas, perde sua razão" antecipa os dilemas pessoais de Louise. Ela mora no subúrbio com Rémi (Tchéky Karyo) mas não é inteiramente feliz porque ele não gosta de sair à noite, como ela. Louise tem necessidade de vida social intensa, enquanto Rémi prefere o isolamento. Ela acaba entrando em acordo com ele para voltar a viver em seu apartamento em Paris, voltando para encontrá-lo em dias alternados.

A abertura da relação estimula Octave (Fabrice Luchini), melhor amigo de Louise e casado, a insistir em manter um relacionamento sexual com ela - o que ela recusa, não por impedimento moral, mas porque não se sente mesmo atraída por ele. Mas as idas e vindas de Louise acabam criando possibilidades de outros relacionamentos - e não só para ela.

O melhor do filme está em seus diálogos, nos quais Louise explicita com limpidez cristalina o que lhe vai por dentro - contemplando todas as suas contradições, medos e desejos. Rohmer acerta em cheio na formulação destes seus personagens, desfolhando camada a camada a sua humanidade. Este é um filme habitado por pessoas comuns, bem comuns, que qualquer um pode ter conhecido. Ao pintar um retrato sem idealizações dos relacionamentos amorosos, Rohmer fornece uma carapuça que a muitos pode servir.

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