Documentário autobiográfico do diretor Kiko Goiffman, que foi adotado por uma família judaica em Minas Gerais, acompanha sua busca pela mãe biológica.
- Por Neusa Barbosa
- 11/03/2004
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Por um desses caprichos de agenda dos lançamentos cinematográficos, chegam ao mesmo tempo às telas de São Paulo duas experiências distintas de exposição da própria intimidade. Trata-se dos documentários 33, do mineiro Kiko Goiffman, e de Na Captura dos Friedmans, do americano Andrew Jarecki, que concorreu ao Oscar da categoria.A primeira e fundamental diferença, fora o tamanho das produções, é que 33 é autobiográfico, conduzido pelo próprio autor. Na Captura dos Friedmans contém grande material íntimo sobre a família que dá nome ao filme, aliás, filmado por seus próprios integrantes, que o entregaram ao diretor.Colocar lado a lado experiências tão distintas permite enriquecer a análise da diversidade que documentários podem assumir.33 é uma empreitada intimista, que tira partido de condições visivelmente modestas, com resultado surpreendentemente eficaz. Kiko Goiffman, diretor e protagonista, embarca em sua própria biografia, na busca de sua mãe biológica. Foge do padrão costumeiro ao não limitar-se a entrevistas com a mãe, a tia e a irmã adotiva, identificando-se com um detetive - o que o leva a entrevistar alguns desses profissionais. Nascem aí alguns momentos verdadeiramente humorísticos, pelo absurdo dos conselhos dados a Goiffman por pessoas mais habituadas a caçar escândalos.Sem escorregar na pieguice, o diretor cria um documento enxuto da própria subjetividade que não deixa de guardar um certo pudor - bem ao contrário de Na Captura dos Friedmans, uma contundente striptease emocional de uma família. Por esse notável equilíbrio entre emotividade e contenção, 33 passa pelo coração com a delicadeza de uma brisa.
