18/07/2026
Infantil

Um Cão do Outro Mundo

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Existe uma máxima em Hollywood que ensina: "nunca trabalhe com crianças, nem com animais". Porém, ao contrariar esse preceito, o diretor estreante John Robert Hoffman errou feio com Um Cão do Outro Mundo. Não que o problema tenha sido desafiar a velha crença, mas um roteiro banal aliado a uma direção fraca e efeitos visuais mal feitos acabam de vez com qualquer possibilidade de sucesso.

Owen Baker é um garoto triste porque sua família vive mudando de casa. Querendo uma companhia definitiva, ele bate o pé para ter um cachorro. Sua mãe diz que o presenteará se o menino cuidar dos cães da vizinhança por três meses e não desistir da tarefa. Ele acaba se saindo bem, e a família adota um pequeno vira-lata que se chamará Hubble. Depois de alguns incidentes, Owen ganha poderes para ouvir o que os cães falam, e descobre que Hubble foi enviado de um planeta para descobrir como os seres caninos estão se saindo na missão de colonizar os humanos.

O pequeno vira-latas está horrizado pois descobriu que seus semelhantes se tornaram amigos dos terráqueos e não governantes. Para piorar a situação, o líder Grande Dinamarquês virá em breve para assegurar a dominação dos cães sobre os humanos. Se ele descobrir que o plano fracassou, levará todos os cachorros para o planeta de origem. A partir de então, Owen e Hubble, junto com os cães da vizinhança, tentam enganar o Grande Dinamarquês permitindo que cães e homens possam continuar vivendo em harmonia.

Não foi à toa que o jornal satírico norte-americano The Onion chamou o filme de uma "ferramenta de opressão disfarçada de filme família". Lembrando também outro filme com animais falantes, de teor neo-fascista e antifelino, Como Cães e Gatos (2001), a publicação ressalta que o longa se transforma em um trabalho de propaganda, dimimuindo a dignidade dos animais à de ditadores do mesmo calibre de Hitler.

Implicações políticas de lado, o filme não chega a ser um passatempo divertido nem para crianças pequenas. A princípio, os cães parecem bonitinhos e fofinhos, mas os efeitos visuais toscos acabam com qualquer graça que os caninos possam ter. Ao optar por movimentos mecânicos das mandíbulas e não apenas labial, os animais são tão falsos quanto o Scooby Doo digital, do filme homônimo.

Mas a maior gafe do diretor e do roteitista Zeke Richardson foi transformar os cachorros em alienígenas. A idéia é tão inverossímil que faz dos extraterrestres de Sinais (2002) seres plausíveis e reais.
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