18/07/2026
Drama

O Signo de Leão

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É uma oportunidade rara assistir ao primeiro filme do cineasta francês Eric Rohmer nos cinemas. O Signo de Leão, rodado em 1959, é praticamente impossível de ser encontrado em VHS no Brasil, e o DVD será lançado na França só em abril. Além disso, como suas belas imagens de Paris, merece ser admirado na tela grande.

Um dos diretores mais representativos da Nouvelle Vague, Rohmer nunca conseguiu o mesmo status de colegas como François Truffaut, Jean-Luc Godard e Claude Chabrol. Mas nem por isso deixou de criar uma obra única e contundente. O cineasta começou no cinema tarde, quando já tinha mais de 40 anos, ao contrário de seus jovens amigos, que tiveram uma estréia até precoce. E, embora a primeira obra não tenha feito sucesso, já é possível notar elementos que estariam presentes em seus futuros trabalhos. O interesse que o ser humano desperta em Rohmer como figura social é muito forte em O Signo de Leão, e praticamente conduz a trama.

Pierre Wesselrin (Jess Hahn) é um músico pobretão e bon vivant, que fica rico ao receber a herança com a morte de uma tia. Era tudo o que ele precisava, mas não é bem para esse caminho que as coisas parecem andar. Nascido em 2 de agosto, sob o signo de leão, o músico está convencido de que o fato de fazer parte da nobreza astral só o tem ajudado. Mas um de seus amigos pondera que o dinheiro vai ser sua ruína. No entanto, essa afirmação nunca poderá ser comprovada.

Logo no dia seguinte, Pierre é informado de que, na verdade, todo o dinheiro ficará com seu primo, a quem considera um completo idiota. Sem nenhum tostão, e sem amigos -todos estão em viagens por causa das férias de verão ou a trabalho - Pierre acaba tendo de perambular pelas ruas de Paris enfrentando a sua ruína física e moral.

Alternando o tom entre uma comédia e um triste drama, Rohmer mergulha fundo na alma de seu protagonista, que por falta de dinheiro acaba se submetendo a diversas humilhações. Mesmo sem a sofisticação narrativa de Minha Noite com Ela e o apelo visual de A Inglesa e o Duque, o cineasta fez um filme pequeno que prende a atenção.

Evitando a verborragia que acabou se tornando uma das marcas de seu trabalho, em O Signo de Leão Rohmer faz um filme bem mais silencioso. Durante boa parte da história, Wesselrin está sozinho, perambulando pelas ruas, sem amigos, tentando sobreviver.

O longa foi produzido por Claude Chabrol, com quem Rohmer havia escrito um livro sobre Alfred Hitchcock, em 1955. O roteiro foi desenvolvido a quatro mãos, com a colaboração de Paul Gégauff. Além disso, no elenco há pontas de diversas personalidades do cinema francês da época, como Godard e as atrizes Marie Dubois e Malka Ribowska.
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