A dupla de diretores Fenton Bailey e Randy Barbato mergulhou na história real de Michael Alig, um clubber que dominou a cena noturna em Nova York no começo dos anos 90, proclamando-se o sucessor de ninguém menos do que Andy Warhol. O rapaz era, com certeza, muito bom de marketing. Bailey e Barbato filmaram um documentário, em 1999, e quatro anos depois lançaram esta versão ficcional. O resultado das duas investidas resulta muito próximo. Nesta história, mais do que em muitas outras, a vida superou a ficção - para pior. Baseando-se no livro Disco Bloodbath, de James St. James - amigo de Alig e parceiro da maioria de suas aventuras - os diretores-roteiristas traçam um retrato agudo e amargo de uma juventude desvairada, que mascara a solidão com uma procura frenética de festas, onde os convidados comparecem fantasiados, encarnando suas mais loucas fantasias, e consumindo altas doses de drogas de todo tipo - ecstasy, cocaína, heroína e até mesmo um tranqüilizante para cavalos, chamado Special K, não raro misturadas uma à outra. Como é de se esperar, o sexo corre tão solto quanto as drogas.O guia nesta viagem a um inferno glamorizado mas nem por isso menos devastador, é justamente Michael Alig (Macaulay Culkin). Rasgando pelo avesso a imagem de quem atingiu a fama como o menininho ingênuo de Esqueceram de Mim, o ator encarna com naturalidade impressionante a trajetória de um rapazinho do interior que queria brilhar em Nova York. Ele atinge o seu sonho, mas ao preço de mergulhar numa espiral de vício e desregramento que termina num assassinato. Seu mentor neste mundo é o jovem James St. James (Seth Green), que o introduz no circuito dos clubes noturnos de Manhattan e lhe dá um curso rápido sobre todas as drogas em consumo nestes salões.Se no começo St. James é o mestre e Michael, o aluno, a situação rapidamente se inverte. Uma vez apresentado aos holofotes, Michael descobre um sentido na vida - brilhar. Torna-se um criativo inventor de festas, nos lugares mais estranhos - uma lanchonete, um vagão de metrô - com isso atraindo legiões de seguidores, os seres da noite ávidos por sensações intensas. Com este talento, chama a atenção de um dono de nightclub (Dylan McDermot), que financia os projetos mais loucos de seu garoto de ouro.Correndo em paralelo, as vidas de Michael e James pisam no acelerador, sem olhar para a frente. O assassinato de um traficante (Wilson Cruz) corta a jornada ascendente de Michael. Para James, sobrevivente de uma overdose, resta o papel de contar a história.Tratando de um tema tão complexo, os diretores conseguem manter um tom de sátira, amarga é verdade, mas que define bem o espírito de seus protagonistas - a quem nunca pretende julgar. Entra com a câmera em sua intimidade, faz o espectador compartilhar de seus sonhos e projetos, por mais alucinados que eles sejam. Com essa atitude, o filme respira autenticidade e deixa transparecer a humanidade frágil dos garotos, por mais que sua maquiagem e fantasias brilhantes procurem encobrir.
