Nos anos 60, a Guerra do Vietnã radicalizava corações e mentes. O movimento pacifista crescia na mesma proporção em que tropas eram enviadas ao front. No meio desta frente antiguerra, o movimento estudantil era uma das forças mais ativas. Nele, surgiu uma dissidência que deixou de acreditar na militância pacífica e partiu para o terrorismo - os Weathermen (literalmente, "os homens do tempo").O grupo emprestava o nome de um verso de Bob Dylan: "Você não precisa ser um homem do tempo para saber para que lado o vento está soprando". Acreditando que o vento soprava a favor do imobilismo, os Weathermen partiram para a ação direta, promovendo atos públicos violentos. Quebravam vitrinas de bancos, enfrentavam os policiais com bastões na mão. Queriam confrontar o conformismo da maioria silenciosa, trazendo, como diziam, "a guerra para casa".O ponto de virada do grupo foi quando decidiram partir para as bombas. A primeira tentativa vinha sendo preparada quando o artefato explodiu, matando três de seus próprios militantes. O acidente, porém, não os dissuadiu. Os Weathermen, aliás, ficaram conhecidos por seus sucessivos bombardeamentos de edifícios públicos - em que tomavam o cuidado de avisar antes para que as pessoas os desocupassem, uma estratégia que contribuiu para evitar que fizessem vítimas.Brancos, de classe média alta, os Weathermen não mereceram do FBI uma política de extermínio de lideranças, como aconteceu com um grupo de seus contemporâneos, os Panteras Negras - quase que totalmente eliminados fisicamente. O FBI, entretanto, criou um grupo especializado em persegui-los, especialmente depois de passarem à clandestinidade, por conta de sua opção pelos explosivos. Os federais demonstraram uma incompetência atroz - nunca foram capazes de prender um único Weathermen - e um contumaz desrespeito pelas leis. Um desrespeito que serviu como base de defesa para os Weathermen, quando anos depois, resolveram se render.O documentário de Sam Green e Bill Siegel - indicado ao Oscar da categoria em 2004 - elabora uma detalhada história do grupo, a partir de imagens de arquivo, depoimentos de seus principais militantes hoje, bem como de alguns de seus críticos. Forma, assim, um excelente painel da época, bom para ser visto ao lado do ótimo Sob a Névoa da Guerra, de Errol Morris, ganhador do Oscar 2004, e refletindo sobre a Guerra do Vietnã sob a ótica de um de seus artífices, o ex-secretário de Defesa, Robert McNamara.
