Primeiro as boas notícias: Scooby-Doo 2 - Monstros À Solta não é pior do que Scooby-Doo, o filme original. Agora, as más notícias: a seqüência também não é muito melhor do que o longa anterior. Os dois são praticamente biscoito canino do mesmo saco. Apesar de estar mais próximo da concepção da série original, o segundo longa não consegue se decidir se prentende ser um filme de verdade ou uma cópia não muito bem sucedida do desenho da TV. Novamente estão lá todos os membros da Mitério S.A. tentando desvendar um complicado caso, que envolve um criminoso capturado por eles no passado. Tudo começa quando é inaugurado um Museu de Criminologia na Vila Legal. Na noite de abertura , as peças do acervo são roubadas, para um plano mirabolante de trazer a vida todos os monstros que foram utilizados como disfarce durante anos pelos malfeitores.Enquanto tenta solucionar o mistério, a turma é desmoralizada por uma repórter sensacionalista, que insiste em noticiar o quanto são incompetentes. Paralelamente à essa trama, Velma se apaixona por Patrick Wisely, o diretor do museu. Para conquistá-lo, conta com os conselhos de Daphne, que a transforma em uma verdadeira personagem do filme As Panteras, com direito a roupa de couro vermelho.Não deixa de ser irônico que em uma produção chamada Scooby-Doo, os monstros criados por computador sejam mais simpáticos, divertidos e reais, do que o cachorro que dá o título ao filme. Há um par de caveiras de um olho só que são impagáveis, não só em sua concepção, como também na diversão. O cachorro ainda continua parecendo falso, criado por computadores. Parece que depois de um certo Gólum (um personagem feito por computador sobre as imagens de um ator em O Senhor dos Anéis) foi estabelecido um outro padrão na criação de seres virtuais.Quanto aos atores protagonistas também não há muitas novidades.Exceto pela Velma apaixonada por Patrick, interpretado por Seth Green. Fred continua loiro e vaidoso, enquanto Daphne é meio perua e corajosa. Aliás, o treinamento que Sarah Michelle Gellar recebeu para sua pesonagem na série de TV Buffy deve tê-la ajudado em diversas seqüências de Monstos à Solta, principalmente quando Daphne precisa mostrar o quanto é destemida. Salsicha e Scooby continuam fazendo o papel de Salsicha e Scooby, ou seja, são medrosos e enfrentam um tremendo complexo de rejeição porque nunca acham uma verdadeira função no grupo. É aí que o filme entra com a "mensagem" para as crianças: "Seja você mesmo." Como na cabeça hollywoodiana todo filme infantil precisa ter uma idéia edificante, o segundo filme do Scooby-Doo aposta nesse batido ideal.Mas a maior supresa do elenco fica por conta da sumida Alicia Silverstone, que foi vista no Brasil pela última vez em De Volta Para o Presente, em 1999. A promissora estrela de As Patricinha de Bervelly Hills, que só têm amargado fracassos nos últimos tempos, tenta dar a volta por cima, fazendo o papel da repórter abelhuda e mesquinha que pretende pôr um fim na Mistério S.A.Com um pé na comédia e outro na aventura, o diretor Raja Gosnell imprime ao filme um rítimo mais frenético do que engraçado, que pode até agradar às crianças bem pequenas, como o filme original. Aos mais nostágicos ainda resta um consolo: ver as cópias dubladas com as vozes orginais do desenho da TV, daí é só fechar os olhos e imaginar como seria a animação.
