19/07/2026
Drama

Mar de Fogo

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Os fãs do ator Viggo Mortensen -o Aragorn da trilogia O Senhor dos Anéis- que já estavam ficando deprimidos com saudades de ver seu astro favorito na garupa de um cavalo não têm mais o que temer. Ele está de volta, mas sem hobbits, elfos e afins. Entram em cena índios americanos e árabes, um belíssimo mustangue chamado Hidalgo.

Mortensen é o caubói Frank Hopkins, uma figura que realmente existiu e faz parte da história norte-americana do final do século XIX. No entanto, o roteiro do filme baseia-se apenas na popularidade da figura nos Estados Unidos, porque nenhum dos eventos apresentados sequer existiu, nem ao menos ele teve um cavalo chamado Hidalgo. Tudo não passa de ficção. O principal motivo dessa escolha é que a vida do verdadeiro Hopkins não daria um filme muito interessante, além de ser bem mais depressiva do que se vê em Mar de Fogo.

Hopkins (o do filme) é um caubói filho de uma indígena pele-vermelha com um homem branco, por isso, ele possui as qualidades das duas etnias. Depois de ver um tribo de nativos ser inteiramente dizimada por oficiais, decepcionado, o caubói se transforma num palhaço de circo, fazendo shows mambembes por diversas cidades - algo parecido com o personagem de Tom Cruise em O Último Samurai. Até ser convidado a participar de uma corrida com o seu fiel mustangue no deserto árabe.

O enduro, de tão perigoso, é conhecido como "Mar de Fogo", e poucos cavaleiros sobrevivem. Até há um grande prêmio em dinheiro, mas Hopkins acaba aceitando mais para dar prestígio ao seu cavalo do que pela recompensa em si. Não há muito o que se esperar, em termos de roteiro, da tal corrida. O filme é totalmente previsível, e se um personagem menciona uma possível tempestade de areia, em alguns minutos esta acontece. O mesmo vale para a nuvem de gafanhotos.

O grande ponto positivo do filme está em suas paisagens. Contrastando um gélido interior dos Estados Unidos com o quente deserto árabe, o filme tem seqüências grandiosas. Além de belíssimas imagens, como a tempestade de areia no deserto. Mas isso não é o bastante para atrair a atenção do público e gerar bilheteria. Uma das esperanças do estúdio era usar a figura de Mortensen - ainda popular por causa de O Senhor dos Anéis- mas também não funcionou muito. O filme que custou quase 80 milhões de dólares, mal fez 55 até agora.

Bem verdade que a culpa não é do ator. Uma espécie de Clint Eastwood das Arábias, o Hopkins de Mortensen fala pouco e tem um humor mordaz. O ator consegue provar que há vida além de Aragorn. Mas isso é tão pouco para segurar um filme que os talentos eqüestres dele e as belas paisagens faz tudo parecer apenas um comercial de uma certa marca de cigarros.

Em tempo, durante a produção, cinco mustangues fizeram o papel de Hidalgo. Um deles, o animal utilizado para os closes, é tão charmoso, que acabou conquistando Mortensen, que o comprou quando terminaram as filmagens. E realmente o cavalo é belíssimo; uma pena ter sido desperdiçado em um filme tão mediano.
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