18/07/2026
Comédia

Garfield - O Filme

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O gato mais malcomportado do mundo, o guloso, preguiçoso, cínico e ciumento Garfield ganhou, enfim, o seu filme. Boa notícia para os fãs da tira que circula em todo mundo, para um universo estimado em 263 milhões de leitores. A má notícia é que os produtores resolveram adaptar o filme às platéias infantis, traindo um bocado a verdadeira natureza do personagem criado por Jim Davis em junho de 1978.

Como sempre acontece nesses casos em que se resolve adocicar uma personalidade com certo potencial abrasivo, o resultado é um produto híbrido, que corre o risco de não agradar nem aos pequenos, que esta versão light procura cativar, nem aos adolescentes e adultos, que com certeza prefeririam uma versão mais pura e dura, ainda mais se gostam do gatão amarelo que não troca nada nem ninguém por um prato cheio de lasanha e uma poltrona diante da TV - sempre com o controle remoto à mão, é claro.

Nada a reclamar da animação do bichano digital. Fizeram um bom trabalho os 200 animadores que lhe deram vida. Provavelmente funcionaria ainda melhor se a produção tivesse optado por um desenho animado completo, não por esta mistura de animação com live action. Garfield (voz de Antonio Calloni na versão brasileira, Bill Murray na original) passa seus dias tranqüilo, entregue aos seus maiores prazeres - comida, sono e TV - ao lado de seu dono bobão, Jon (Breckin Meyer). Apaixonado pela veterinária Liz (Jennifer Love Hewitt), Jon não perde uma oportunidade de levar seu gato no consultório, o que estranhamente ele gosta, apesar de ser encaminhado para o banho - que costuma ser uma provação do ponto de vista de dez entre dez gatos. Quem tem um bichano em casa sabe do que estamos falando.

O problema é que, para agradar Liz, Jon aceita levar para casa um viralata sem dono, prontamente batizado como Odie. Garfield, como se espera, mostra-lhe as unhas, empurra-o da poltrona e, um belo dia, tranca-o para fora de casa. Quando o cãozinho se perde é que o gato tem sua atitude mais estranha, tendo em vista sua personalidade natural nos quadrinhos: fica preocupado e lidera um comitê de salvamento contra o vilão dr. Feliz (Stephen Tobolowsky), que pretende usar Odie como dançarino no seu show de TV, nem que para isso precise acionar uma coleira que dá choque.

Apesar de tudo, há boas cenas, todas elas por conta do setor de animação - as melhores, a entrada de Garfield num prédio equilibrando-se nas paredes de um duto de ventilação, sua queda direto num caminhão cheio de lasanhas e seu número musical dançando I Feel Good, sucesso de James Brown. Mas melhor seria que o filme fosse pensado para o público adolescente em diante e projetasse a verdadeira personalidade de Garfield, mais talhado para fazer concorrência ao ogro Shrek do que para gatinho de estimação. Aliás, gato por gato, melhor ficar com o Gato de Botas de Shrek, este sim bem mais malandro e engraçado do que o previsto no conto de fadas em que o francês Perrault o inventou.

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