Em 13 de junho passado, as adoráveis gêmeas Olsen completaram dezoito anos. Agora, elas já têm o direito de votar. Como nos Estados Unidos o voto não é obrigatório, pode ser que elas não queiram ir às urnas, mas o recado político delas já foi dado às milhares de fãs. Elas são republicanas, totalmente pró-Bush e Schwarzenegger - e para que isso fique bem claro, logo em uma das primeiras cenas de No Pique de Nova York aparece uma foto de Ashley ao lado do governador Arnie, e um bonequinho de George W. Bush. Fazer filmes ruins é um direito inalienável de qualquer produtor - principalmente porque quem vai perder dinheiro é ele mesmo, no caso as gêmeas. No entanto, fazer filme ruim para adolescentes e usá-lo como propaganda política ultrapassa qualquer limite. Antes desse filme, a dupla havia feito pequenas participações em fitas ou em longas lançados diretamente em vídeo. Só agora, as "queridinhas da América" descobriram que a indústria cinematográfica é regida por regras mais complexas do que a TV e o mundo dos brinquedos. No Pique de Nova York custou 30 milhões de dólares e não faturou nem metade disso. Mas o filme já bateu um recorde: foi a única estréia na história do cinema a entrar em mais de 3 mil salas e faturar apenas 5 milhões de dólares. Mas elas ainda não precisam ficar desesperadas, porque o ponto forte delas é a venda dos filmes em home-video - e provavelmente No Pique de Nova York terá vida longa nas prateleiras. O roteiro da debutante Emily Fox conta um dia na vida de uma dupla de gêmeas, Jane e Roxy. Enquanto a primeira é a estudante almofadinha que terá de fazer um discurso para uma banca examinadora, para ganhar uma bolsa de estudos, a outra é uma folgada que só pensa em cabular aulas e naquele dia pretende participar da gravação do clipe de uma banda. Além disso, elas não se suportam. Desnecessário dizer que tudo dará errado naquele dia, que no final uma será obrigada a assumir a identidade da outra, e que também descobrem que ainda há aquela chama fraternal entre elas. Mas até chegar nisso, há um calvário de 90 minutos, pontuado pela voz enjoadinha das irmãs, situações irreais e sem graça. Sem muito talento para a atuação, resta às Olsen fazer caras e bocas. Ashely vive a comportada Jane, que sonha em ir para a Universidade de Oxford, na Inglaterra - mas alguém precisa avisá-la (ou à roteirista) de que a Universidade de Oxford fica em Oxford e não em Londres como ela insiste em dizer. Já Mary-Kate (a metade anoréxica da dupla) faz o papel de uma relaxada, aliás, com um corpo que não parece nada anoréxico. Entre os coadjuvantes estão Eugene Levy (o pai da série American Pie), no papel de uma espécie de detetive especializado em flagrar alunos que matam aulas. Ele está há séculos no percalço de Roxy. No papel do pai viúvo delas está o Dr Drew Pinsky. Famoso por seu programa na MTV onde dá conselhos sobre educação sexual a jovens, o médico perdeu uma ótima chance de dar algumas sugestões às suas filhas no cinema. Também há uma ponta totalmente deletável de Jack Osbourne. A direção é de Dennie Gordon, de Tudo Que Uma Garota Quer, que abusa da tela dividida, de imagens rápidas e música irritante. Tudo para fazer parecer que algo interessante está acontecendo. As gêmeas podem ficar sossegadas que o seu saldo anual de 1 bilhão de dólares provavelmente vai ser atingido. Mas essa receita não poderá contar muito com a bilheteria deste filme.
