Quando estreou em 1997, Anaconda era um pacote irresistível para os fãs pouco exigentes de terror B. Com um roteiro estapafúrdio, efeitos especiais de difícil digestão e performances hilariantemente sérias, a produção fazia rir pelos grosseiros e constantes erros no desenrolar da trama. Assim, na linha do "tudo é tão ruim que pode ficar mais divertido", o filme fez relativo sucesso e ainda ganhou uma turma de entusiastas que garantiram uma continuação.
No entanto, sem o entusiasmado elenco original (Jennifer Lopez, Owen Wilson, Ice Cube e o veterano Jon Voight), o filme perde seu maior trunfo: ver astros de Hollywood arranhando suas imagens numa produção de segunda classe. Ainda mais quando falamos de Jon Voight e sua impassível e estática figura que roubou a cena, mesmo ao lado da iniciante Jennifer. Sem essas qualidades, sobrou apenas o maior erro que um filme B pode cometer: ser maçante.
A trama começa com a descoberta de propriedades farmacêuticas extraordinárias em uma flor denominada Orquídea de Sangue. Assim, destaca-se um grupo de cientistas para ir a Borneo, onde a flor desabrocha uma vez a cada sete anos. Como estão atrasados, iniciam a expedição sem os cuidados necessários para a exploração das selvas tropicais e seus perigos, como, claro, as anacondas gigantes. E por que essas proporções? Como já disse, as flores têm um poder extraordinário.
O que acontece a partir de então, torna-se provável. Os sustos de encontrar essas enormes serpentes, os gritos, os clichês, as cenas de ação forçadas e os efeitos especiais desastrados, enfim, todo o tipo de situações que já vimos antes. Principalmente a caracterização dos personagens, que está longe de ser original.
E exemplos não faltam. O capitão do barco, interpretado por Johnny Messner, como o cara "durão, mas sensível" é hilário e espera-se que o ator tenha, pelo menos, se divertido fazendo esse trabalho. Torna-se ainda mais risível quando está ao lado da atriz KaDee Strickland (como alívio sensual do filme), que não apenas esforça-se em um fajuto sotaque, como mostra o quão nulo pode ser seu talento dramático. Mas, nada se compara a Eugene Byrd como o personagem cômico. Sua participação ganha efusivos aplausos na cena em que finalmente uma Anaconda amiga o leva embora do filme. A culpa é claro, não recai diretamente no ator, mas num roteiro sem graça.
Outros pontos bastante nebulosos são as cenas de ação, quase todas feitas no escuro, tornando-as confusas e desconfortáveis. Fica a certeza que foram produzidas para dissimular os já evidentes efeitos especiais irregulares e as mal filmadas e mal coreografadas seqüências.
O filme termina deixando algumas dúvidas no ar. Como anacondas nativas de florestas tropicais da América do Sul foram parar (em tão grande número) nas Ilhas de Borneo, junto à Indonésia? O problema é que para saber essa resposta seria necessário entrevistar os sete roteiristas usados para criação deste épico sem precedentes. E quem disse que sete não é um número de azar?
