06/06/2026
Drama Comédia

Uma Amizade sem Fronteiras

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A Paris cinematográfica dos anos 60 serve de pano de fundo para o belo Uma Amizade sem Fronteiras, que foi indicado ao Globo de Ouro de melhor produção estrangeira no ano passado, e traz o veterano Omar Sharif (Mar de Fogo) e o estreante Pierre Boulanger nos papéis principais.

Boulanger é Momo, um jovem judeu de 13 anos que vive com o pai, sob a sombra da mãe que o abandonou quando era pequeno. Além de cozinhar e cuidar da casa, o rapaz tem que agüentar as comparações que o pai vive fazendo com um irmão mais velho, de quem o garoto nem se quer se lembra. Precocemente, ele descobre os prazeres da companhia das prostitutas parisienses e isso alivia a sua vida.

A praticamente inexistente figura paterna da vida de Momo é preenchida por Monsieur Ibrahim (Sharif), o 'árabe' (na verdade ele é turco, mas ninguém se dá conta disso) dono da mercearia local, que gosta de filosofar e dar conselhos ao menino. No entanto, ele fará muito mais do que ser a figura paterna. Quando o pai de Momo morre, é o comerciante quem adota o menino.

A partir daí, os dois embarcam numa viagem rumo à Turquia, em busca das origens de Ibrahim. Nesse ponto, o filme se torna uma espécie de conto de fadas com um certo tom agridoce e melancólico.

Sharif não precisa de muito esforço para encarnar Ibrahim. Sempre mal barbeado e com um conselho na ponta da língua, não fica difícil entender porque esse turco ganhou o coração de um garoto judeu. Boulanger, por sua vez, mostra talento em sua estréia, com um personagem complexo. Também há uma pequena ponta não creditada de Isabelle Adjani, fazendo o papel de uma estrela que está na vizinhança rodando um filme.

O único senão do filme é o título nacional. Essa tal de 'amizade sem fronteiras' parece querer ganhar ar de cyberspaço do século XXI, quando na verdade, o filme é um delicioso passeio nostálgico a uma Paris do passado - a mesma habitada pelo Antoine Doinel, vivido por Jean-Pierre Léaud e criado por François Truffaut.

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