22/07/2026
Suspense

O Enviado

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As crianças-demoníacas vêm nas mais diferentes embalagens no cinema. Uma verdadeira febre nos anos 70, que rendeu filmes como O Exorcista (1973) e A Profecia (1976), esses pimpolhos buscam novo fôlego em O Enviado. Mas, apesar do começo promissor e de alguns sustos, o filme acabará mandado em breve para o limbo das prateleiras de suspense e terror das locadoras.

Paul Duncan (Greg Kinnear, Melhor é Impossível) e Jessie (Rebecca Romijn-Stamos, X-Men) levam uma vida maravilhosa ao lado de Adam (Cameron Bright), o filho que acaba de completar 8 anos. Mas no dia seguinte à festa do garoto, ele morre em um acidente de carro, acabando com a harmonia da família. Logo após o funeral, uma estranha figura se aproxima do casal. Trata-se do Dr. Richard Wells (Robert De Niro, Entrando numa fria) que sugere algo ilegal e, acima de tudo, imoral: clonar o menino morto.

O que a princípio é repugnante para o casal, torna-se cada vez mais conveniente. E, claro, eles acabam aceitando a proposta, que inclui uma casa numa pequena cidade onde a clínica de Dr Wells está localizada, além de um emprego para Paul, que é, não por acaso, professor de biologia.

O procedimento in vitro é feito e o casal se muda para a casa nova, em uma cidade que poderia até ser Stepford - aliás, o filme seria até mais interessante, fosse esse o seu mote. Jessie dá à luz um bebê idêntico a Adam. Oito anos se passam sem que nada de estranho ou interessante aconteça. Por isso, o roteiro pula diretamente para a festa de 8 anos de Adam 2. Algo parecido com o que foi visto no filme.

É então que coisas estranhas começam a acontecer. Adam 2 passa a ter visões, que Dr Wells - agora o melhor amigo dos Duncan - diagnostica como terror noturno, o que ele diz ser bem comum a crianças naquela idade. Mas não é só isso. Adam vê gente morta - algo como Haley Joel Osment, em O Sexto Sentido, e não por acaso Cameron lembra bastante Haley. Nessa mesma ocasião, o médico diz que até os oito anos ele sabia o que aconteceria com Adam 2. Depois dessa idade, tudo pode acontecer.

Esse 'tudo pode acontecer' inclui deixar que uma boa premissa desça ladeira abaixo, principalmente por culpa de um roteiro mal escrito, com diálogos risíveis. Como esse é um suspense de terror, com toques de sobrenatural, o filme nunca entra pelos meandros morais da questão - o que, na verdade, seria bem mais interessante. Além disso, sempre opta pelo óbvio. Nem o nome do menino clonado escapa disso: Adam, que significa Adão, ou seja, o primeiro homem.

O atores - exceto De Niro - se esforçam praticamente em vão para tirar algo de real de situações cada vez mais impossíveis. Kinnear mostra certa maturidade artística - melhor explorada em Auto Focus -, mas à Rebecca cabe um lacrimoso papel, que, apesar de sua beleza única, não se destaca no filme. De Niro parece ter encontrado duas vertentes em seu trabalho atual. Ora ele faz paródia de si mesmo (a série A Máfia no Divã, Entrando numa fria), ora parece estar profundamente entediado com o trabalho que tem (O Último Suspeito). O Enviado encaixa-se no segundo caso.

Diz a lenda que o diretor Nick Hamm (O Buraco) filmou sete finais diferentes. Entre eles dois em que dois personagens são mortos de formas diferentes, mas ambos por Adam 2. Mas, aparentemente, o diretor escolheu o mais sem graça e mal feito para a montagem final do filme.
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