22/07/2026
Comédia

Show de Vizinha

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Normalmente quando uma distribuidora deixa um filme na gaveta por muito tempo, fazendo pré-estréias durante meses, marcando e desmarcando data de lançamento, boa coisa não é. E não é que, no final das contas, Show de Vizinha acaba sendo uma grata surpresa? Não que seja uma grande comédia, ou algo que o valha, mas o filme não é tão ruim quanto a Fox insiste em fazer parecer. E uma trilha sonora inspiradíssima só faz os 100 minutos dessa comédia adolescente, pós American Pie, passar mais rápido - as pérolas vão desde "Under Pressure", com Queen e David Bowie, passando por "Something in the air", de Thunderclap Newman (também usada em Quase Famosos) e terminando com Baba O'Riley, do The Who, entre outras.

Praticamente uma versão atualizada de Negócio Arriscado, aquela comédia estrelada por Tom Cruise em início de carreira, Show de Vizinha começa mostrando um mundo quase perfeito, num colégio onde todos são alegres e felizes, ninguém tem problemas com drogas ou anorexia, e todos são amigos de todos. Corta para o mundo real. Matt (Emile Hirsch, de O Clube do Imperador, lançado diretamente em vídeo no Brasil) é praticamente um loser - aliás, esse é o maior pecado que um jovem pode cometer no mundo da high school norte-americana. Ele costuma dividir seu tempo entre ser um dos melhores da escola, seus dois inseparáveis amigos, Eli (Chris Marquette) e Klitz (Paul Dano) e cultivar ambições políticas - sim, ele quer se sentar, um dia, na cadeira ocupada por George W. Bush.

Mas as coisas estão para mudar quando ele conhece sua nova vizinha, Danielle (Elisha Cuthbert, Simplesmente Amor). A garota, evidentemente alguns anos mais velha do que ele, acaba conquistando-o com seu jeito intempestivo e, ao mesmo tempo, carente. Mas mesmo com a companhia dela, o rapaz não se torna a pessoa mais popular da escola. Não que ele esteja ligando para isso. Atualmente, os seus planos são entrar para a Georgetown, e ganhar uma bolsa de estudos para essa universidade. Para isso, precisará fazer um discurso que impressione a comissão que seleciona os estudantes.

Eli, um diretor de cinema aspirante e aficcionado por filmes pornográficos, é quem descobre que Danielle não é tão ingênua quanto parece. A moça é uma ex-estrela de filmes pornôs. De início, Matt se desespera, mas acaba convencido de que essa é a chance de perder sua virgindade. Numa cena meio que brega, meio que patética, mas nunca convincente, a menina diz que não quer mais esse tipo de vida, e que não quer mais vê-lo, pois ele pensava apenas em usá-la como objeto sexual. Como se ele fosse a única pessoa do mundo a pensar nisso.

Mas ainda o filme não está nem no meio. Há muita coisa para encher uma hora de história. O ex-produtor da ex-estrela pornô Kelly (Timothy Olyphant) reaparece para reclamar sua prima dona de volta; Matt arrecada dinheiro com alunos da escola para levar um estudante do Camboja para estudar no Estados Unidos; e também há uma convenção de filmes adultos em Las Vegas. Eventualmente essas tramas se juntarão num dado momento. Mas o climax reserva uma certa surpresa que é até divertida.

Hirsch parece estar bem menos à vontade do que em seu filme anterior. Fazendo cara de assustado e arregalando os olhos o tempo todo, ele tem suas cenas roubadas por sua dupla de amigos nerds. Cuthbert até tenta encontrar o meio tom entre a atriz pornô safadinha e a vizinha da casa ao lado ingênua - mas o roteiro nunca dá espaço para ela fazer algo além de caras e bocas - de preferência bem sensuais.

Apesar de tudo, ainda tem a trilha sonora que é quase um desperdício num filme desses. "Atlantis", de Donovan, "What's going on", com Marvin Gaye, e "Sweet Home Alabama", com Lynyrd Skynyrd são mais algumas das preciosidades perdidas em meio a esse mar de hormônio infanto-juvenil.
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