- Por Rodrigo Zavala
- 20/09/2004
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Nos últimos anos, o cinema francês soube muito bem adaptar seu particular estilo às convenções do gênero de ação norte-americano. Bem demais, diga-se, como pôde ser visto no excelente Rios Vermelhos, lançado em 2000 e estrelado pela talentosa dupla de atores Jean Reno e Vincent Cassel. A produção continha todos os ingredientes de policial/serial killer tão caros às receitas hollywoodianas.Embora não contivesse a inefável qualidade do cinema francês, presente em filmes como Táxi ou La Femme Nikita, Rios Vermelhos resultou em um competente thriller, auxiliado por excelentes atuações e uma boa dose de suspense. Por isso, não foi de se estranhar o otimismo exacerbado de seus produtores em divulgar uma trilogia, visto o sucesso do filme original. Seja como for, chega às telas brasileiras, com certo atraso, a segunda parte desse trabalho.Quem espera ver uma continuação, pode esquecer. Rios Vermelhos 2 - Anjos do Apocalipse só pode ser considerado uma seqüência, graças a manutenção de Jean Reno no elenco, na pele do comissário de polícia Pierre Niémans, que desta vez deve solucionar o assassinato de um monge, emparedado em um monastério repleto de mistérios. Como no primeiro filme, o comissário se vê à frente de uma investigação que toma matizes estranhos. Aqui, nebulosas personagens, um enigmático envolvimento eclesiástico e uma série de assassinatos desconexos. É quando surge a figura do policial Reda (Benoît Magimel), ex-aluno de Niémans, que encontra, baleado em frente a uma igreja, um homem que diz ser Jesus Cristo. Cedo ou tarde, os dois casos irão se encontrar, numa miscelânea de cinema policial e suspense apocalíptico, como menciona o próprio título. Apesar do enredo forte e interessante, a troca de diretores se fez sentir na seqüência. Enquanto Mathieu Kassovitz reuniu o maior número de emoções com o menor esforço, deixando as cenas fluírem naturalmente, Olivier Dahan perde força no decorrer da trama. Como uma fogueira sem carvão, o filme diminui sua chama nos momentos mais reveladores e, por isso, decepciona. Mesmo Reno, ainda que sempre talentoso, parece interpretar o comissário sem muito entusiasmo. Com esse resultado, não resta dúvida de que Luc Besson, que assina o roteiro e a produção¸ tem sangue hollywoodiana em suas veias, apesar de ser francês. No entanto, Besson parece reunir não apenas as qualidades desses dois estilos de fazer cinema. O roteirista, produtor, diretor e entusiasta Luc Besson parece ter adquirido também todos os seus defeitos, a começar por ter promovido uma continuação, um dos maiores indicadores da insistência comercial de um produto.
