18/07/2026
Drama

Samsara

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Neste seu filme de estréia, o diretor indiano Pan Nalin enfoca a passagem do sagrado para o profano empreendida por um jovem monge budista, Tashi (Shawn Ku). Em paisagens lindíssimas da Índia, Tashi é visto a princípio saindo de um longo processo de meditação - três anos, três meses, três semanas e três dias em jejum, numa caverna sem luz. Saindo deste transe, o jovem se reencontra gradualmente com seu corpo.Aí, encontra sua própria sexualidade insatisfeita e pronta a transbordar em sonhos que deixam marcas cada vez mais explícitas.

Desde criança no mosteiro, como é hábito na região, Tashi tem de reinventar para si toda uma vida civil. Torna-se trabalhador rural numa propriedade, onde se apaixona prontamente pela bela filha do patrão, Pema (Christy Chung). Problemas à vista, porque a moça está prometida a um noivo, Dawa (Lhakpa Tsering). Mas o conflito encontra uma solução e Tashi casa-se com ela.

A vida familiar e de fazendeiro cria uma nova identidade para o ex-monge, que se envolve também no desafio a um poderoso chefe local, que monopoliza a compra dos produtos de todos os agricultures da região, impondo-lhes seu preço. Ao final desse processo de enfrentamento, Tashi ainda terá outro desafio, com a atração por uma trabalhadora migrante, Sajata (Neelesha BaVora) - com quem protagoniza uma atlética cena de amor.

A erupção desses conflitos familiares desperta em Tashi o desejo de voltar à calma do mosteiro. Uma das melhores cenas está na discussão em que sua mulher lhe coloca suas queixas diante desta decisão - tingindo com um inesperado toque feminista uma história que parecia não se interessar mais do que pelos pontos de vista do protagonista. Caminhando na linha tênue entre espiritualidade e humanismo, o filme consegue não derrapar e contar sua história com dignidade, embora sem nenhum toque genial.

Cineweb-29/1/2003

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