26/08/2026
Drama

Casa de Areia e Névoa

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O sonho americano e a tragédia grega nunca dialogaram tão claramente quanto em Casa de Areia e Névoa, que chega ao Brasil com quase um ano de atraso. Um dos filmes mais importantes feitos nos EUA do pós-11 de Setembro, esse drama mostra muito mais do que um simples choque de culturas - retratando a devastação moral e emocional de seus personagens.

Kathy (Jennifer Connelly) é uma alcoólatra tentando se recuperar do vício após ser abandonada pelo marido. Ela mora em uma pequena casa à beira mar deixada pelo pai. Por um erro da justiça americana, esse bangalô é vendido. O comprador é o coronel Behrani (Ben Kingsley), um ex-coronel iraniano que fugiu de seu pais por motivos políticos e agora vive exilado nos EUA.

Se no Irã ele era praticamente um dos governantes, na América Behani faz trabalhos braçais para sustentar a sua família - o que achar vergonhoso. A compra da pequena casa representa o começo do caminho para reconquistar a sua dignidade.

A disputa pela posse da casa acaba sendo uma metáfora de tudo aquilo que os dois personagens e suas culturas acreditam. E o que fazer quando os dois têm razão, e ninguém quer ceder? O diretor ucraniano Vadim Perelman fez um filme de relações delicadas que crescem aos poucos até explodir em um final honesto e arrebatador. Foi preciso um diretor estrangeiro para mostrar onde foi parar o sonho americano.

O roteiro é baseado no livro de Andre Dubus III, adaptado por ele com a ajuda do diretor. A excelente iraniana Shohreh Aghdashloo (que participou de The Report, de Abbas Kiarostami) foi indicada ao Oscar de melhor atriz coadjuvante. Mas é muito pouco para um filme tão complexo e bem realizado que merecia muito mais prêmios.
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