26/08/2026
Drama

Mar Aberto

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Com um alto grau de pretensão, quando estreou no Festival de Sundance, o filme Mar Aberto se vendia como uma mistura de Tubarão e Bruxa de Blair. Tal hipérbole pareceu um tanto suspeita ao público e à crítica americana. No entanto, conseguiu despertar curiosidade e, mais do que isso, uma significativa bilheteria que lhe rendeu ganhos bastante gordos, visto que se trata de um filme independente de baixíssimo orçamento. De qualquer forma, o fato é que, apesar do exagero comparativo, a descrição é perfeitamente apropriada para a produção.

Baseada em fatos reais, tudo muito supostamente, é claro, Mar Aberto acompanha o jovem casal Susan (Blandchard Ryan) e Daniel (Daniel Travis) em suas merecidas férias no Caribe. Tudo muito americano, por supuesto. O estresse do trabalho começou a definhar a relação, e por isso buscam as paradisíacas ilhas para relaxar e desfrutar das múltiplas atividades que Bahamas oferece para um casal apaixonado, incluindo aí um passeio turístico com mergulho em alto mar, nas cristalinas águas da região.

Tudo é como o esperado até que, por um erro aterradoramente simples e crível, os organizadores da expedição marítima abandonam a dupla em alto mar. Logo em seguida, quando finalmente voltam à superfície, Susan e Daniel se encontram sozinhos na imensidão azul, abandonados à sorte e rodeados por todo o tipo de perigos, entre eles, tubarões em busca de alimento.

Por mais que o tema leve a comparações com Tubarão, clássico de Steven Spielberg, Mar Aberto não é realmente um filme de terror, mas de suspense. Afinal, por mais que o risco imediato seja a aproximação desses temíveis predadores, o casal se confronta também com as dúvidas, rancores e tensões que esta horrível situação pode causar. E são essas reações que levam o espectador a uma inexorável angústia, muito mais realistas e mais efetiva do que os infames sustos usados à exaustão no gênero.

Dessa forma, Crhis Kentis consegue salvar o filme dos caminhos fáceis do clichê e reinventar um suspense cativante. A resposta emocional do espectador é potencializada também pela convincente interpretação dos atores, Blandchard Ryan e Daniel Travis, que não fizeram antes nada mais do que pontas. Por isso, a insistente pergunta "que outros filmes eles fizeram?", pode ficar sem resposta, mesmo para cinéfilos de plantão.

Filmada em vídeo digital, o que lembra bastante Bruxa de Blair, certamente podem ser encontradas diversas falhas ao longo da produção. Mesmo assim, a criatividade torna-a um excelente suspense e uma prova que a saída para a mesmice cinematográfica está mesmo nos diretores independentes. Está, afinal, em tempo do espectador comum deixar de preconceitos e se divertir à base de pipoca e refrigerante com o cinema independente.
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