Em O Abraço Partido, do argentino Daniel Burman, os pequenos detalhes têm extrema importância. Apresentando uma Argentina multicultural, o cineasta mostra mostra a força do jovem cinema desse país. Para provar essa tese, basta dar uma olhada em produções recentes da Argentina, como O Pântano, de Lucrecia Martel, e Do Outro Lado da Lei, de Pablo Trapero.
O jovem Ariel (o ótimo Daniel Hendler, premiado com o Urso de Prata de Melhor ator no Festival de Berlim deste ano) tem vinte e poucos anos e muitas dúvidas. Como um típico jovem de sua idade, ele não sabe o que quer da vida e passa os dias numa galeria comercial no bairro judeu de Buenos Aires.
Dividindo seu tempo entre a loja de lingeries da mãe (Adriana Aizenberg, numa inesquecível atuação) e o cyber café local, flertando com a atendente, ele apenas filosofa. Sem ter muito o que fazer, gosta de pensar no pai, que abandonou a mãe e foi para Israel na década de 1970 para lutar na guerra de Yom Kippur e nunca mais voltou.
Pensando em uma nova vida na Europa, ele tenta conseguir um passaporte polonês, mas isso não será nada fácil. Enquanto espera soluções - ou novos rumos para a sua vida - ele vai recebendo conselhos da avó, do rabino e de quem mais aparecer em seu caminho.
Os diversos personagens da galeria são um colorido pano de fundo para a história do jovem Ariel. Transitando entre uma melancolia juvenil e um humor delicado, o roteiro escrito pelo diretor e por Marcelo Birmajer mostra um certo ritual de passagem tardio na vida de Ariel.
Os diálogos e as narrações feitas pelo protagonista são, na maioria das vezes, profundas e singelas observações daquele microcosmos que representa todo o mundo - repleto do multiculturalismo do século XXI.
Esse é o longa que representa a Argentina na corrida pelo Oscar de melhor produção estrangeira.
