Sem qualquer dúvida, é pouco provável que se possa agregar algum elogio novo a um dos maiores clássicos do terror. O Exorcista (1973) tornou-se um marco, que há mais de trinta anos divide o joio do trigo dentro de um gênero que, hoje, está deturpado pela escassa originalidade. O que antes estava mergulhado em mensagens, alegorias e tudo aquilo que faz um filme de terror tornar-se uma obra de arte, nos últimos anos transformou-se apenas em um exercício de sádico voyerismo.
Quando foi lançada a versão do diretor em 2000, não foi surpresa essa potente obra ainda causar impacto sobre as novas gerações. Possivelmente seja o tom clínico do diretor William Friedkin, somado à contínua popularidade religiosa. De qualquer forma, a sólida narrativa do autor William Peter Blatty deleita qualquer espectador que goste de emoções fortes.
Assim, com grande alarde os fãs esperaram o lançamento de Exorcista: O Início. A produção, afinal, contaria finalmente a história Padre Lankester Merrin e de como ele se tornou um exorcista, fato omitido no filme de 1973. Explicaria também de uma vez por todas quando o padre se encontrou com o demônio - que o assombrou por toda sua vida - provando que o mal não é apenas inato nos seres humanos, mas sim uma entidade que deve ser vencida.
E o que se pode adiantar é que o primeiro encontro se deu no Quênia, África, logo após a Segunda Guerra Mundial. Sem sua batina, conhecemos o padre Merrin descrente, graças à matança desenfreada de civis pelos nazistas, que é cooptado pelo governo inglês para explorar um igreja desconhecida, construída na região. E ao que parece, o lugar é amaldiçoado e no passado foi o centro de uma sangrenta batalha. Tudo muito enigmático até os trinta minutos iniciais.
No entanto, no final da sessão torna-se muito difícil defender este filme. Ao que parece a indústria cinematográfica hollywoodiana mais uma vez recompensou a repetição, o cinismo e o conformismo, castigando a originalidade. Por mais que a história seja realmente interessante, ela se perde num emaranhado de cenas histéricas desnecessárias, disponibilizando uma quantidade de sangue na medida para permitir que o público adolescente possa ver o filme.
Embora o roteiro apresente uma trama bem armada, as constantes falhas na direção, realizada pelo pouco versátil Renny Harlin, de Alta Velocidade, extrai a discrição tão necessária à produção. O exagero parece ser, enfim, o princípio dominante ao lado de pobres efeitos especiais. O que se pode salvar aqui é o trabalho de Stellan Skasgärd, na pele de um Merrim repleto de conflitos - tudo isso muito providencial.
Embora o desapontamento seja grande, mas não completo, Exorcista: O Início nos traz um resquício de algo que poderia ser maior e melhor. Traz ainda o recado claro que o demônio é, na verdade, uma representação de nós mesmo, frente as adversidades e o poder. Por último, ressalta que filmes de terror devem melhorar muito para se tornarem significativos e devem apostar que a simplicidade é uma dos maiores trunfos para o sucesso.
