Documentário narrado em tom de literatura de cordel sobre o surfista paraibano Fábio Gouveia, considerado um dos melhores do mundo. O surfista de 34 anos ganhou diversos prêmios pelo mundo afora e foi o primeiro brasileiro a vencer uma etapa do Circuito Mundial da Association of Surfing Professional, a ASP, no Brasil e no exterior. Além disso, é o único a ganhar uma prova do circuito mundial no Havaí.
- Por Alysson Oliveira
- 01/11/2004
- Tempo de leitura 2 minutos
Filmes sobre esportes tendem a agradar apenas a uma parcela da população - os aficcionados. Quando o produto em questão é um documentário, há o risco de torná-lo ainda mais restrito. Isso não acontece com Fábio Fabuloso, que fala sobre um surfista por pouco mais de uma hora e consegue se comunicar com todo o tipo de público. Prova disso é que o longa foi premiado pelo voto do público na 28a Mostra BR de Cinema e no Festival do Rio.Desde o início, o trio de diretores do documentário tinha em mente atingir leigos e surfistas. "A única maneira de conseguir é contextualizando, traduzindo o encanto que temos pelo surfe e por Fábio", declarou Pedro Cezar ao Cineweb.O que torna Fábio Fabuloso mais interessante é o objeto de estudo do filme: o surfista paraibano Fábio Gouveia. Um dos mais importantes do Brasil, ele ganhou diversos prêmios pelo mundo afora, e foi o primeiro brasileiro a vencer uma etapa do Circuito Mundial da Association of Surfing Professional, a ASP, no Brasil e fora. Além disso, é o único que venceu uma prova do circuito mundial no Havaí. Aos 34 anos, Gouveia vive em Santa Catarina ao lado da mulher, Elka, e dos três filhos - todos, aliás, surfistas. Esse lado família do esportista foi uma das coisas que mais chamou a atenção dos documentaristas, e um dos pontos mais explorados no filme. "Ele foi o primeiro a levar família com ele para o exterior no circuito", comenta o diretor Ricardo Bocão.Para Bocão, além da família, outras três coisas eram imprescindíveis no filme. "O pioneirismo do Fábio (ele foi o primeiro brasileiro a ganhar diversos prêmios), o bom humor e o estilo de surfar dele", comenta. E isso é o que dá o tom do filme.Pontuado com rimas de cordel divertidas, escritas por Cezar, o filme exibe com vigor e elegância o estilo inconfundível de Fabinho. Imagens colhidas ao longo dos anos fazem a festa de surfistas e leigos. Mas não são apenas imagens de arquivo. O documentário também se vale de depoimentos de renomados profissionais e amigos do surfista, como Kelly Slater e Martin Potter.Outra coisa que chama a atenção em Fábio Fabuloso é a criatividade - não apenas do surfista com seu estilo ímpar, mas principalmente dos diretores do filme, que tiveram coragem de arriscar. A começar pela excelente trilha sonora composta por Marcos Cunha, que mistura música eletrônica com ritmos nordestinos - algo bem longe da surrada surf music que soaria como uma escolha óbvia. Apenas isso já seria ousado, mas o trio vai além. Todo o longa é narrado com sotaque nordestino, além de diversas declamações em tom de literatura de cordel, e de ter um burrinho como personagem central - ao lado do surfista. Nesse ponto, misturam-se a ousadia e a falta de pretensão dos diretores, que resultou neste criativo documentário.
