Refém de uma Vida é um daqueles típicos filmes em que o espectador se interessa mais pelo elenco estelar do que propriamente por uma trama bem costurada. Lento e irregular, trata-se basicamente de violência e, mais uma vez, do declínio do estilo de vida americano. Tudo o que parece perfeito, na verdade, está sustentado em mentiras e omissões. Dirigido, produzido e escrito pelo holandês Pieter Jan Brugge, que até então se dedicou exclusivamente a produzir filmes como Fogo Contra Fogo e Dossiê Pelicano, o filme começa com o sequestro do famoso executivo Wayne Hayes, aqui interpretado por Robert Redford, que acaba sendo levado por seu malfeitor (Willen Defoe) a uma floresta, onde haverá uma cabana para escondê-lo. No entanto, a tentativa de travar um jogo psicológico entre vítima e criminoso não funciona muito bem neste caso. O roteiro que enfrenta problemas desde o início, principalmente na questão da originalidade, não sustenta o clima de tensão entre os dois personagens, apesar do esforço de Defoe e Redford. Tudo é muito vagaroso e sem vida, para infelicidade do espectador. Enquanto isso, a família de Hayes busca informações sobre seu paradeiro com a ajuda do FBI. E no papel da esposa do sequestrado, Eileen, a atriz Hellen Mirren (Assassinato em Gosford Park) rouba não apenas as cenas, como todo o filme. Seu sofrimento silencioso, não apenas pelo desaparecimento de seu marido, mas pelas descobertas feitas pela polícia sobre a vida secreta de Wayne, dão ao filme um motivo para ser visto. Mesmo sendo o primeiro longa de Brugge, é perceptível sua proximidade com a câmera. Embora não seja uma obra de real impacto, devido aos inúmeros clichês e à certa breguice emocional, Refém de uma Vida consegue se sustentar pela delicadeza da personagem de Hellen Mirren e a escolha de colocar a violência de forma implícita. Afinal, num país em que os números de seqüestro crescem a passos largos, como o Brasil, ir ao cinema para ver cativeiros não parece ser uma escolha sadia.
